CentroesteNews
13/01/2026
Em meio à maior onda de protestos no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações públicas incentivando a população iraniana a ocupar instituições do Estado e prometendo apoio externo aos manifestantes. A fala ocorre em um contexto de escalada da violência interna, repressão severa por parte do regime e aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
“Tomem suas instituições”, afirmou Trump em publicação nas redes sociais, ao criticar duramente a atuação das forças de segurança iranianas contra os protestos. As manifestações, iniciadas em dezembro, já se espalharam por diversas províncias e têm reunido setores distintos da sociedade, incluindo jovens, mulheres, trabalhadores urbanos e comerciantes tradicionais.
Segundo dados oficiais do governo iraniano, cerca de 2 mil pessoas morreram desde o início dos protestos. Organizações não governamentais internacionais, no entanto, apontam números diferentes e estimam mais de 600 mortos confirmados, além de milhares de feridos e presos. A divergência reflete a dificuldade de acesso à informação no país, agravada por bloqueios frequentes à internet e restrições à imprensa estrangeira.
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Relatos de testemunhas e entidades de direitos humanos indicam o uso de força letal, prisões arbitrárias e julgamentos sumários, o que tem ampliado a pressão internacional sobre Teerã.
Além do incentivo direto à mobilização popular, Trump voltou a levantar a possibilidade de ataques aéreos contra o Irã, caso a repressão continue. Embora não tenha anunciado uma ação imediata, o tom adotado reforça a retórica de confronto que marcou sua política externa em relação ao país persa em mandatos anteriores.
Analistas avaliam que esse discurso tem duplo efeito: ao mesmo tempo em que estimula opositores internos, também oferece ao regime iraniano um argumento para reforçar a narrativa de interferência estrangeira, usada historicamente para justificar repressões.
Em reação às declarações, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país está “pronto tanto para a guerra quanto para negociações justas”. Segundo ele, qualquer diálogo só será possível se houver respeito à soberania iraniana e ao direito do país de decidir seus próprios rumos políticos.
Autoridades iranianas também acusam os Estados Unidos de tentar desestabilizar o país por meio de sanções, pressão diplomática e incentivo direto a protestos, algo que Washington nega oficialmente, apesar das falas públicas do presidente.
Especialistas em política internacional alertam que a combinação de protestos internos massivos, repressão violenta e retórica externa agressiva cria um cenário altamente volátil. Mesmo sem uma intervenção militar imediata, o simples debate público sobre ataques amplia a instabilidade regional e pode afetar mercados globais, especialmente os de energia, já que o Irã é um ator-chave no fornecimento de petróleo e gás.
Enquanto os protestos seguem crescendo, o futuro do regime iraniano permanece incerto — e a atuação de potências estrangeiras tende a ser um fator decisivo tanto para a continuidade das manifestações quanto para os próximos passos do governo em Teerã.




