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Trabalho por hora em supermercados preocupa especialistas: “É precarização”

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CentroesteNews

20/05/2025

Anna Vitória Bispo

 

Empresas do setor supermercadista têm apostado em contratos por hora para suprir vagas abertas — só em São Paulo, o setor afirma ter 35 mil postos não preenchidos. A solução apontada por empresários seria ampliar o regime intermitente, previsto na reforma trabalhista de 2017. Mas especialistas alertam: isso aumenta a precarização das relações de trabalho.

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Salários baixos e múltiplas funções

Um anúncio de vaga para operador de caixa em Nova Iguaçu (RJ) oferece R$ 1.600 mensais para jornada 6×1, incluindo funções extras como limpeza e reposição. Após descontos, o salário líquido mal cobre despesas básicas como aluguel, alimentação e energia elétrica, levando muitos trabalhadores ao endividamento ou à necessidade de múltiplos empregos.

“É uma espiral de precarização”, diz Flávia Uchôa, professora da UFF. Ela aponta ainda o adoecimento mental como consequência, com uso crescente de ansiolíticos e antidepressivos entre os trabalhadores.

O que é trabalho intermitente?

Previsto na CLT desde 2017, o contrato intermitente permite que o trabalhador tenha carteira assinada, mas sem garantia de jornada ou salário fixos. Ele é convocado conforme a necessidade da empresa e recebe apenas pelas horas trabalhadas, com direitos como férias e 13º calculados proporcionalmente.

Em 2024, o STF validou a constitucionalidade dessa modalidade, mas ela continua sendo criticamente avaliada por estudiosos.

“É um modelo que fragiliza. O trabalhador depende de convocações, não sabe quanto vai ganhar, nem se conseguirá atingir o mínimo para contribuir ao INSS”, alerta a economista Alanna Santos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disfarce de modernização

Segundo especialistas, o discurso de “flexibilização” esconde um processo de retirada de direitos. A precarização impacta especialmente jovens, pressionados entre empregos instáveis e um “empreendedorismo” de sobrevivência, sem estrutura nem garantias reais.

Sindicatos reagem

Entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) defendem o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal sem redução de salário, como forma de melhorar a qualidade de vida e a produtividade.

“A juventude não quer mais essa escravidão moderna. Quer estudar, descansar, viver com dignidade”, afirma Márcio Ayer, da CTB e do Sindicato dos Comerciários do Rio.

Supermercados crescem mais que o PIB

Enquanto isso, o setor supermercadista teve desempenho acima da média da economia. Em 2024, cresceu 6,5%, quase o dobro do PIB nacional (3,4%), segundo a economista Alanna Santos. Isso coloca em xeque o argumento de que a redução de jornadas traria prejuízos às grandes redes.

“Não estamos falando de pequenos mercados, mas de grandes empresas que lucram e ainda pressionam por mais flexibilização”, diz a economista.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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