O ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (12) que a Polícia Federal envie todos os dados referentes aos celulares apreendidos e periciados durante a investigação. Com a ordem, ele reforça sua atuação na relatoria do caso, que tem desdobramentos significativos no âmbito jurídico e político.
A decisão foi proferida após a entrega de um relatório pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao presidente do Supremo, Edson Fachin. O documento descreveu a perícia realizada nos aparelhos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli determinou que a PF encaminhe, na íntegra, os conteúdos dos dispositivos e mídias apreendidas, incluindo laudos periciais, dados telefônicos, informáticos e telemáticos.
Entre os dados levantados, o nome do ministro Toffoli teria sido citado em mensagens contidas nos celulares periciados, o que gerou um novo foco nas investigações. Ao repassar o relatório ao STF, a Polícia Federal invocou um artigo da Lei Orgânica da Magistratura (Loman) que aborda a questão da suspeição, sugerindo possíveis questionamentos sobre a imparcialidade na condução do caso.
Toffoli assumiu a relatoria em dezembro último, após o caso sair da Justiça Federal e migrar para o STF a pedido da defesa de Vorcaro. Inicialmente, a decisão ocorreu devido a menções ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) nas investigações. Apesar disso, a PF esclareceu que o parlamentar não é um alvo nas apurações, que envolvem suspeitas de fraudes financeiras.
Na manhã de hoje, o gabinete do ministro respondeu ao relatório emitido pela Polícia Federal. Em nota, Toffoli confirmou ser sócio de uma empresa que vendeu um resort, mas negou qualquer vínculo de amizade com Daniel Vorcaro ou pagamentos entre ambos. A resposta visa afastar dúvidas sobre sua conduta à frente do caso, que segue sob intenso acompanhamento e desdobramentos no STF.


