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Terceiro Comando Puro: a facção que usa símbolos evangélicos e já é a terceira força do crime no Brasil

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CentroesteNews

01/12/2025

 

A queda da enorme Estrela de Davi que brilhava sobre uma caixa d’água no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, marcou mais do que uma destruição simbólica. O artefato de neon representava o domínio do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que, nos últimos anos, ficou conhecida por incorporar discursos e símbolos do universo evangélico em seu território.

O episódio ocorreu durante uma operação da Polícia Militar, em 11 de março, na comunidade de Parada de Lucas. Além de derrubar o símbolo, os agentes demoliram uma mansão construída ilegalmente dentro de uma área de proteção ambiental. O imóvel era usado pelo chefe do tráfico local, Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão — líder temido, cercado de mistérios, que jamais passou pelo sistema prisional.

Apesar da força-tarefa, Peixão não foi capturado. Sua figura desperta dúvidas dentro e fora das comunidades: há quem diga que é pastor, outros afirmam que se tornou evangélico por influência da mãe. Ainda assim, sua imagem reforça a estratégia do grupo, que utiliza símbolos religiosos para marcar território, impor regras e justificar práticas de violência e controle social.

O TCP vive sua fase mais forte desde sua criação. Segundo o coordenador-geral de análise da Abin, Pedro Souza Mesquita, a facção está em “franca expansão” além do Rio. Um relatório apresentado ao Congresso mostra que o grupo alcançou novos estados, entre eles:

  • Espírito Santo

  • Minas Gerais

  • Goiás

  • Bahia

  • Ceará

  • Amapá

  • Acre

  • Mato Grosso do Sul

  • Rio Grande do Sul

Com esse avanço, o TCP se consolida como o terceiro maior grupo criminoso em atividade no país, atrás apenas do Comando Vermelho (CV), seu rival direto, e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A presença da Estrela de Davi — usada indiscriminadamente pela facção — tem provocado impacto cultural e religioso, especialmente em comunidades já fragilizadas pela ausência do Estado. No Ceará, onde o grupo chegou recentemente, pichações com “Jesus é dono do lugar” começaram a surgir, acompanhadas do símbolo.

Em outubro, denúncias apontaram que ao menos quatro terreiros de umbanda foram fechados a mando da facção em Maracanaú, reforçando um padrão já registrado na zona norte do Rio: a intolerância religiosa como instrumento de controle e opressão comunitária.

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, confirmou que a presença do TCP foi detectada no estado em setembro. Apenas na região metropolitana de Fortaleza, 37 membros foram presos no primeiro mês de atuação identificada.

A derrubada da Estrela de Davi foi celebrada por setores da segurança pública, mas especialistas afirmam que o combate ao TCP exige mais do que ações pontuais. Para eles, a facção se fortalece justamente nos vácuos deixados pelo Estado, ocupando física e simbolicamente territórios vulneráveis.

Assim, enquanto símbolos são destruídos no alto de caixas d’água, o grupo segue se expandindo pelo país — munido de armas, discursos religiosos distorcidos e estratégias de dominação que ampliam sua presença e influencia comunidades inteiras.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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