Um novo estudo científico trouxe uma descoberta animadora sobre o envelhecimento do cérebro: pessoas com mais de 80 anos que mantêm memória excepcional, conhecidas como “SuperIdosos”, produzem o dobro de neurônios jovens em comparação com idosos cognitivamente saudáveis e até 2,5 vezes mais do que pessoas com Alzheimer.
A pesquisa foi conduzida por especialistas do Instituto Mesulam de Neurologia Cognitiva e Doença de Alzheimer da Escola de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, em Chicago.
Segundo a neurocientista Tamar Gefen, coautora do estudo, a descoberta é extraordinária:
“Isso mostra que o cérebro em envelhecimento tem capacidade de se regenerar.”
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O que torna um SuperIdoso diferente?
Para ser considerado um SuperIdoso, é preciso ter mais de 80 anos e apresentar memória episódica excepcional — a capacidade de recordar eventos pessoais e experiências cotidianas com precisão.
Pesquisadores do programa SuperAging, desenvolvido na Northwestern, estudam esse grupo há mais de 25 anos. De acordo com a neurologista Emily Rogalski, essas pessoas têm QI semelhante ao de outros idosos, o que indica que a diferença não está na inteligência, mas na preservação da memória.
Além disso, costumam apresentar características em comum:
* Vida social ativa
* Atitude positiva
* Estímulo mental constante (leitura, aprendizado)
* Envolvimento comunitário
* Muitos seguem trabalhando após os 80 anos
O que acontece no cérebro?
As análises mostraram que o hipocampo, região ligada à memória, dos SuperIdosos contém um ambiente celular mais favorável à neurogênese (produção de novos neurônios).
A professora Orly Lazarov, autora sênior do estudo na Universidade de Illinois em Chicago, explicou que o perfil cerebral desse grupo demonstra “resiliência”, permitindo que o cérebro lide melhor com o envelhecimento.
Os pesquisadores também identificaram:
* Córtex cingulado mais espesso (ligado à atenção e motivação)
* Três vezes menos emaranhados tau (marcadores do Alzheimer)
* Neurônios estruturalmente maiores e mais robustos
Estilo de vida também conta
Embora fatores genéticos possam influenciar, especialistas apontam que hábitos saudáveis têm papel importante. O médico pesquisador Richard Isaacson destaca que dieta equilibrada, atividade física, sono adequado, controle do estresse e tratamento de fatores vasculares podem ajudar a preservar áreas cerebrais essenciais.
A ciência ainda busca compreender todos os mecanismos envolvidos, mas o estudo reforça uma mensagem poderosa: o cérebro envelhecido não é passivo, ele pode se adaptar, se regenerar e manter plasticidade.




