O Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou nesta quinta-feira (19) a abertura de ação penal contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de interferência à Justiça e coação no curso do processo, no âmbito das investigações sobre a chamada trama golpista. Com a decisão, o ex-deputado passa oficialmente à condição de réu.
O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma da Corte em novembro de 2025. Na ocasião, os ministros entenderam haver indícios suficientes para a abertura da ação penal.
A reportagem procurou a defesa de Eduardo Bolsonaro para comentar a decisão, mas não houve retorno até a publicação deste texto.
Denúncia da PGR
A acusação foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob comando do procurador-geral Paulo Gonet. Além de Eduardo, também foi denunciado o blogueiro Paulo Figueiredo.
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Segundo a PGR, os dois teriam articulado, nos Estados Unidos, a imposição de sanções contra ministros do STF, com o objetivo de constranger a atuação da Corte e influenciar decisões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no processo sobre a tentativa de golpe.
De acordo com Gonet, há indícios de que interlocutores ligados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teriam sido acionados para pressionar o Judiciário brasileiro.
Próximos passos e possível extradição
Com a formalização da ação penal, o processo entra agora na fase de instrução, que inclui coleta de provas, oitivas de testemunhas e interrogatórios dos acusados. Ao final, os ministros irão julgar se condenam ou absolvem os réus.
A abertura da ação também permite que o STF solicite eventual extradição para fins de instrução processual ou cumprimento de pena, caso necessário. No entanto, qualquer medida nesse sentido dependeria da cooperação das autoridades norte-americanas.
O caso segue sob análise da Suprema Corte e integra o conjunto de investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e às articulações posteriores aos eventos de 2022.




