A sessão reservada no Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na última quinta-feira (12), terminou com a decisão de afastar Dias Toffoli da relatoria do caso Master, mas deixou um desconforto latente entre os ministros. Após a divulgação de uma reportagem do site Poder360, com trechos literais das falas feitas durante a reunião sigilosa, surgiram suspeitas de que o encontro teria sido gravado clandestinamente.
O conteúdo publicado apontava opiniões e declarações feitas pelos magistrados, com algumas falas apresentando apoio a Toffoli. Esse fato levantou hipóteses de que o material, extremamente detalhado, só poderia ter sido registrado com algum tipo de gravação ou vazamento interno. Nos bastidores, o clima na Corte foi descrito como de perplexidade e preocupação, principalmente diante da possibilidade de quebra de confiança.
Integrantes do STF relataram ter encaminhado a reportagem ao próprio ministro Toffoli, que negou categoricamente qualquer envolvimento com gravações ou vazamentos. Segundo ele, é possível que haja alguma participação externa, mencionando especificamente a área de informática. Ainda assim, no âmbito interno, o episódio foi visto como um acontecimento inédito, causando desconforto entre os magistrados.
Entre os trechos divulgados, foi mencionado que o ministro Gilmar Mendes comentou sobre supostas reações contrárias ao Supremo por parte da Polícia Federal, referindo-se às decisões de Toffoli. A ministra Cármen Lúcia teria revelado preocupação com a imagem da Corte, afirmando ser necessário preservar a institucionalidade, mas registrando sua confiança em Toffoli. O ministro Luiz Fux, por sua vez, teria declarado que o colega possuía “fé pública” e expressou voto favorável a ele.
Outros ministros, como Nunes Marques e André Mendonça, também se posicionaram de forma favorável a Toffoli, enquanto Cristiano Zanin e Flávio Dino levantaram críticas ao relatório da Polícia Federal apresentado no caso. Apesar de algumas manifestações de apoio, a decisão final foi pela saída de Toffoli da relatoria.
O episódio, que envolve o caso Master e suspeitas de irregularidades, trouxe à tona dúvidas sobre a confiança entre os magistrados e a segurança nos encontros sigilosos do Supremo. Nos bastidores, o vazamento não foi visto apenas como um eventual abuso, mas como um incidente que pode causar marcas profundas na relação interna dos integrantes da Corte. A situação segue sendo tema de debates, enquanto o relatório da Polícia Federal, que está nas mãos do presidente Edson Fachin, continua a fazer parte dos desdobramentos do caso.


