CentroesteNews
14/01/2026
A empresa SpaceX, comandada pelo bilionário Elon Musk, passou a oferecer acesso gratuito à internet via satélite Starlink para usuários no Irã, em um momento em que o regime iraniano intensifica a repressão contra protestos antigovernamentais e restringe severamente o acesso à informação no país.
Segundo Ahmad Ahmadian, diretor-executivo da organização de tecnologia sem fins lucrativos Holistic Resilience, contas do Starlink que estavam inativas no território iraniano voltaram a funcionar, com as taxas de assinatura suspensas a partir da última terça-feira (13). A informação foi confirmada por meio de contatos diretos com usuários iranianos do serviço.
“O acesso é simples. Basta conectar o terminal em um local com boa visibilidade do céu e a conexão é restabelecida”, afirmou Ahmadian em entrevista à CNN, destacando a praticidade da tecnologia mesmo em ambientes sob forte censura estatal.
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A iniciativa ocorre poucos dias após uma conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Elon Musk, na qual ambos discutiram especificamente o acesso ao serviço de internet via satélite no Irã. Questionadas, tanto a SpaceX quanto a Casa Branca não responderam aos pedidos de comentário sobre o teor da conversa ou sobre a estratégia adotada.
Para ativistas iranianos, a liberação do acesso gratuito representa um alívio em meio ao cerco informacional imposto pelo Estado. Ainda assim, especialistas alertam que o impacto prático tende a ser limitado. O Irã tem cerca de 92 milhões de habitantes, e apenas uma pequena parcela da população possui terminais Starlink ou condições de utilizá-los.
Além disso, o regime iraniano mantém capacidade técnica para tentar bloquear ou interferir no funcionamento do serviço, o que pode reduzir sua efetividade como ferramenta de comunicação e mobilização social. Mesmo assim, a medida expõe uma nova frente de tensão entre tecnologia, política internacional e controle estatal da informação.
Em um cenário de protestos, censura e repressão, o acesso à internet passa a ser não apenas uma questão tecnológica, mas um elemento central na disputa por liberdade de expressão, organização social e visibilidade internacional.