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Show de Bad Bunny no Super Bowl amplia tensão cultural nos EUA em ano eleitoral

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A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl LX, realizada no último domingo (8), na Califórnia, ultrapassou o campo do entretenimento e ganhou contornos políticos em um momento sensível da vida pública norte-americana. Ao celebrar a cultura latina majoritariamente em espanhol no maior palco esportivo dos Estados Unidos, o artista porto-riquenho reacendeu debates sobre identidade, imigração e polarização ideológica às vésperas das eleições de meio de mandato.

O episódio gerou forte reação de setores conservadores. O presidente Donald Trump criticou o espetáculo em sua rede social, classificando-o como uma afronta aos valores tradicionais do país. Aliados do movimento Make America Great Again (MAGA), influenciadores e parlamentares republicanos também manifestaram descontentamento, alegando que o show teria promovido mensagens inadequadas ou politizadas.

Cultura latina no centro do debate

Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, tornou-se o primeiro artista latino a comandar sozinho o show do intervalo do Super Bowl, apresentando-se majoritariamente em espanhol. O espetáculo reuniu elementos da cultura caribenha e latino-americana, com referências visuais a Porto Rico, danças tradicionais e símbolos do continente.

Em um dos momentos do show, o cantor declarou em inglês que “a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor” e encerrou com a expressão “God Bless America”, ampliando o alcance simbólico da apresentação.

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Para parte da direita norte-americana, o uso predominante do espanhol e a estética do espetáculo representariam uma ruptura com valores culturais tradicionais. Já lideranças democratas e representantes da comunidade latina celebraram o evento como um marco de reconhecimento cultural.

Eleitorado latino no radar

A controvérsia ocorre em um cenário político marcado pela disputa pelo voto latino, um dos segmentos que mais cresce no eleitorado dos Estados Unidos. Dados das últimas eleições mostram mudanças importantes no comportamento desse grupo.

Em 2024, Trump obteve cerca de 45% dos votos latinos, contra 53% da democrata Kamala Harris. Apesar da derrota nesse segmento, o republicano ampliou sua presença entre eleitores hispânicos em comparação com 2020, quando havia obtido cerca de 32%, frente a 65% de Joe Biden, um avanço significativo em quatro anos.

Pesquisas recentes, no entanto, indicam índices elevados de desaprovação do presidente entre hispânicos, variando entre 55% e 70%, segundo diferentes levantamentos divulgados pela imprensa norte-americana. O tema da imigração, reforçado pela retórica mais dura da Casa Branca e pelo fortalecimento das ações de fiscalização, segue como ponto central da disputa.

Contradições estratégicas

Analistas apontam que o caso expõe um dilema para o trumpismo: enquanto parte da base conservadora reage à valorização da cultura latina, grandes organizações como a NFL ampliam investimentos nesse público, considerado estratégico tanto do ponto de vista econômico quanto demográfico.

Alguns parlamentares republicanos chegaram a sugerir pedidos de investigação sobre a organização do show, alegando conteúdo impróprio. Ainda assim, dentro do próprio campo conservador há vozes que alertam para o risco de afastamento definitivo de eleitores latinos, considerados decisivos nas disputas legislativas.

Eleições de meio de mandato

Em novembro, os eleitores norte-americanos escolherão os 435 membros da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e diversas autoridades estaduais e locais. Atualmente, os republicanos mantêm maioria nas duas casas legislativas, mas a margem é apertada.

Caso os democratas conquistem o controle de uma das casas, poderão impor limites à agenda da Casa Branca na segunda metade do mandato presidencial. Nesse contexto, a mobilização  (ou o afastamento)  do eleitorado latino pode ser determinante.

O show de Bad Bunny, portanto, simboliza mais do que uma apresentação artística: tornou-se parte de um debate maior sobre identidade, representação cultural e estratégia eleitoral em um país cada vez mais dividido.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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