A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido de prisão domiciliar humanitária do ex-presidente, detalha a rotina dele no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha.
Segundo o documento, entre 15 de janeiro e meados de fevereiro de 2026 (39 dias), Bolsonaro:
Teve 144 atendimentos médicos (média de quase quatro por dia);
Mantém cerca de sete horas de sono por noite;
Realiza caminhadas diárias de aproximadamente 1 km, sob escolta;
Assiste a programas esportivos e dedica parte do dia à leitura.
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Saúde considerada estável
De acordo com laudo da perícia médica da Polícia Federal, as comorbidades do ex-presidente, como hipertensão, apneia do sono grave e aderências abdominais, estão sob controle clínico e medicamentoso.
Ele relatou:
Dormir por volta das 22h e acordar às 5h (levantando-se às 8h);
Fazer repouso de cerca de 20 minutos após o almoço;
Realizar 33 caminhadas no período analisado.
O batalhão conta com médico da Secretaria de Saúde do DF e unidade avançada do SAMU 24 horas, além de acompanhamento de profissional particular e do médico Dr. Brasil Caiado. Foram registradas 13 sessões de fisioterapia/acupuntura no período.
Alimentação e recomendações médicas
O laudo aponta que a alimentação não está adequada às condições de saúde do ex-presidente, com:
Baixo consumo de frutas, verduras e hortaliças;
Excesso de ultraprocessados e açúcares, como biscoitos e bolos;
Falta de controle de peso.
Apesar disso, a perícia concluiu que o ambiente prisional tem estrutura para oferecer dieta adequada.
Também foram feitas recomendações:
Uso contínuo de aparelho CPAP para apneia do sono (com melhora de 80% relatada);
Ajustes comportamentais para controle do refluxo;
Uso de filtro solar e proteção UV durante caminhadas ao ar livre.
Visitas e atividade política
A decisão menciona “intensa atividade política” como indicativo de boa condição mental.
No período analisado, Bolsonaro recebeu:
36 visitas de pessoas que não são da família;
29 dias com reuniões com advogados;
4 assistências religiosas.
Entre os visitantes estiveram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e parlamentares aliados como Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Helio Lopes.
Negativa da prisão domiciliar
Ao indeferir o pedido, Moraes afirmou que o ambiente prisional atende às necessidades médicas e respeita a dignidade do condenado.
O ministro também citou como fator impeditivo a tentativa de fuga e a violação de tornozeleira eletrônica em novembro de 2025.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicial fechado, conforme decisão do STF.




