Centroeste News
28/01/2026
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A política externa marcada por incertezas e tensões da administração de Donald Trump tem levado diversos países a buscarem alternativas ao dólar em suas reservas internacionais. Bancos centrais de diferentes partes do mundo estão ampliando a aquisição de ouro, o que tem impulsionado a valorização recorde do metal no cenário global. Dados do World Gold Council indicam que, em 2025, as compras de ouro por bancos centrais somaram cerca de 300 toneladas, refletindo o papel estratégico do ativo como refúgio diante de um contexto global de crescentes incertezas geopolíticas e econômicas.
Grandes economias emergentes e membros do bloco Brics, como China, Índia e Brasil, lideram o movimento de diversificação. O Banco Central do Brasil, por exemplo, quase dobrou a participação do ouro em suas reservas ao longo de 2025, passando de 3,5% para 6,7%, o que significou um salto de US$ 11,7 bilhões para US$ 23,9 bilhões em valor. Movimentos semelhantes são registrados em outros países, com destaque para a França e a Alemanha, que ampliaram suas reservas de ouro para cerca de 80% do total. Esse movimento reflete uma desconfiança generalizada em relação ao dólar, agravada pela interferência de Trump em decisões econômicas e geopolíticas sensíveis.
No mercado financeiro, o ouro tem registrado patamares históricos. Os contratos futuros do metal operam acima de US$ 5 mil a onça, acumulando alta de quase 90% no último ano. Segundo o economista Mauriciano Cavalcante, mesmo eventuais realizações de lucros não devem interromper a tendência de alta, que costuma ser alimentada por tensões internacionais e pela busca de alternativas mais seguras diante de choques econômicos. Já Daniela Hathorn, analista de mercado, destaca que a interferência de Trump na independência do Federal Reserve e as tensões geopolíticas estão impulsionando ainda mais os investidores a buscarem proteção no ouro, considerado um ativo resiliente e imune à discrição política.
A desvalorização do dólar acompanha esse aumento na demanda pelo ouro. Desde o início de 2025, o índice DXY, que mede a força do dólar ante outras moedas importantes, caiu cerca de 15%. Esse movimento reflete uma confiança vacilante na moeda americana, ao mesmo tempo em que reforça o papel do ouro como reserva de valor e atrativo em tempos de instabilidade. Estima-se que as compras do metal continuem aquecidas em 2026, movimentando cerca de 60 toneladas por mês, segundo o Goldman Sachs Group. Não à toa, o ouro segue fortalecendo sua posição como uma das principais alternativas em um mercado global fragmentado e incerto.