CentroesteNews
11/01/2026
Uma denúncia apresentada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal revelou uma rede de transações fraudulentas envolvendo o Banco Master e ao menos quatro fundos de investimento com possíveis ligações ao crime organizado. A investigação apontou que esses fundos foram utilizados em um esquema estruturado para inflar artificialmente ativos financeiros e permitir que recursos retornassem ao controle de Daniel Vorcaro, dono do banco, e de sua equipe de confiança.
De acordo com o Banco Central, as operações suspeitas estão ligadas à Reag DTVM, uma empresa do setor financeiro que já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, responsável por apurar crimes de lavagem de dinheiro associados à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A estimativa é que o volume financeiro envolvido nas operações chegue a um valor assustador de R$ 11,5 bilhões.
O esquema foi descrito como uma cadeia, na qual o banco fornecia empréstimos para determinadas empresas que, por sua vez, aplicavam os valores nos fundos investigados. Esses fundos, então, adquiriam ativos de liquidez extremamente baixa por valores inflacionados e repassavam tais ativos a estruturas de controle ligadas ao próprio Vorcaro. Para se ter ideia da magnitude do processo, investigadores citaram casos onde títulos de valor real de R$ 100 eram negociados internamente a valores dez vezes maiores, criando uma ilusão de solidez financeira que ocultava a fragilidade das operações.
O Banco Central identificou ainda falhas graves no gerenciamento de riscos e indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional, tanto por parte de administradores do Banco Master quanto da Reag. Entre julho de 2023 e julho de 2024, foram realizadas transações estruturadas que somaram R$ 11,5 bilhões, muitas delas envolvendo um número reduzido de clientes e sem respeitar princípios básicos de diversificação e liquidez. Segundo técnicos, essas operações foram realizadas de maneira deliberada, para evitar a necessidade de reavaliar os ativos e expor sua desvalorização real.
Esse histórico de irregularidades culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro pelo Banco Central. A decisão foi tomada após o esgotamento de alternativas viáveis para salvar a instituição, que apresentava uma grave crise econômico-financeira decorrente de irregularidades que comprometiam sua solvência.
O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU), onde, inicialmente, foi determinada uma inspeção nos documentos do Banco Central. No entanto, a medida foi suspensa após polêmicas e a abertura de um processo de mediação. Enquanto isso, as investigações continuam a desmontar os detalhes desse esquema bilionário que expõe a fragilidade do sistema financeiro e revela conexões perigosas com o crime organizado.