CentroesteNews
01/12/2025
Mais Lidas
O presidente do diretório estadual do PT no Rio de Janeiro, Diego Zeidan, filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), destoou do posicionamento majoritário do partido ao elogiar, nesta segunda-feira (1º), a megaoperação policial contra o Comando Vermelho, que deixou 121 mortos na capital fluminense.
Segundo Zeidan, a ação (criticada pela cúpula do PT pela alta letalidade) foi “bem-sucedida”, e o partido “não pode cometer o erro de ser contra” intervenções policiais estruturadas no combate ao crime organizado.
Mesmo diante das mortes e debates sobre abusos, o dirigente defendeu abertamente o armamento da Guarda Municipal de Maricá.
“Estamos armando a guarda porque queremos fazer o enfrentamento de frente com o crime organizado. Vamos fazer treinamento com o Bope, comprar fuzil, para que a gente possa ir para as favelas”, afirmou.
Zeidan reconheceu que a operação resultou na morte de “120 jovens”, mas reforçou a necessidade de ações firmes do Estado:
“Não podemos ter a demagogia de achar que a polícia não tem que entrar com arma. Porque se tem bandido de fuzil, com barricada, impedindo a entrada do Estado, o Estado tem que combater.”
Para ele, o único erro das autoridades foi deixar a comunidade no dia seguinte:
“Não adianta fazer uma operação contra o crime organizado, que na minha opinião foi bem sucedida, mas, no dia seguinte, o Estado sair da favela.”
O posicionamento de Zeidan contrasta com o de setores do PT, que classificaram a megaoperação como excessivamente letal. A Defensoria Pública do Rio aponta que o número de mortos pode chegar a 132 e alertou para indícios de violações.
A ONU também demonstrou extrema preocupação. Uma porta-voz do secretário-geral António Guterres destacou que essas operações afetam, de forma desproporcional, pessoas negras, e cobrou investigações e reformas no modelo de policiamento adotado no Brasil.
Enquanto o governador Cláudio Castro (PL) afirmou que a ação foi um “sucesso”, governadores de oposição a Lula, como Tarcísio de Freitas (SP) e Ronaldo Caiado (GO), criaram um “Consórcio da Paz” em apoio à iniciativa fluminense.
Militares com experiência em combate também elogiaram a ofensiva. O ex-comandante do Bope André Luiz de Souza Batista afirmou:
“Uma operação eficiente não teria policiais mortos, mas 113 presos e 119 criminosos mortos com 97 fuzis e 26 armas leves apreendidas refletem êxito em relação ao resultado operacional.”
O debate expôs novamente a polarização em torno da política de segurança no Brasil, especialmente sobre o uso da força policial, ocupação de comunidades e o papel do Estado no enfrentamento ao crime organizado.