CentroesteNews
09/01/2026
O Irã vive uma onda de manifestações populares que já é considerada a maior demonstração de força contra o regime clerical em anos. Desde o final de dezembro, os atos se espalham por Teerã, Mashhad e diversas cidades do país, com milhares de pessoas exigindo a deposição do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo, e até pedindo o retorno de Reza Pahlavi, herdeiro do último xá, exilado desde 1979. O colapso econômico, agravado pela desvalorização acentuada do rial, uma inflação galopante de 40% e sanções internacionais decorrentes do programa nuclear iraniano, tem sido o principal catalisador da revolta popular.
A situação econômica é apenas parte de um cenário que inclui má gestão, corrupção e um governo cada vez mais desconectado das demandas da população. Em resposta à crescente insatisfação, as autoridades iranianas intensificaram a repressão. Até o momento, organizações de direitos humanos relatam que os protestos já atingiram mais de 100 localidades por todo o país. Segundo a Human Rights Activist News Agency (HRANA), ao menos 34 manifestantes e oito agentes de forças de segurança foram mortos, além de 2.270 pessoas presas. Já a Iran Human Rights (IHR), baseada na Noruega, aponta um número ainda maior, com 45 óbitos confirmados, incluindo crianças.
Para conter a mobilização popular e limitar a visibilidade internacional dos protestos, o governo iraniano instaurou um apagão digital em escala nacional. A organização NetBlocks, que monitora a conectividade em tempo real, registrou um bloqueio significativo nos serviços de internet e telefonia, dificultando ainda mais o acesso à informação e a comunicação entre os manifestantes. Para muitos, trata-se de uma tentativa de isolar o país das críticas externas, agravando a repressão interna.
As reações internacionais incluem declarações do governo dos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump afirmou que eventuais ações letais do regime contra os manifestantes colocariam o país sob “medidas duras” da comunidade internacional. Washington, por meio de sua emissora oficial em língua persa, também repercutiu o alerta, reforçando apoio ao povo iraniano em sua busca por liberdade.
Apesar da censura e das ameaças, a insatisfação continua a crescer, refletindo o limite da paciência de uma população sufocada por crises econômicas e sociais. A situação gera elevada tensão política tanto interna quanto externa, à medida que o regime reage com violência e acusa forças estrangeiras de provocar uma suposta insurreição. Enquanto isso, os manifestantes se desdobram para que suas vozes sejam ouvidas, mesmo em meio ao blackout digital e à repressão que já deixou um saldo de mortes e prisões alarmante.