Um print de conversa obtido pela família da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, mostra que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto afirmava ter acesso e controle às redes sociais da esposa. Gisele morreu com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo. O caso é investigado como morte suspeita.
Segundo o advogado da família, José Miguel Silva, a conversa indica possível controle e violência psicológica. No diálogo, o oficial teria usado o perfil da própria esposa para repreender um primo dela, dizendo que ele estaria “conversando demais”. O parente respondeu de forma cordial, mas a conversa teria sido encerrada de maneira ríspida.
Relacionamento sob suspeita
A defesa da família afirma que o print integra um conjunto de indícios que apontam para um relacionamento abusivo. De acordo com o advogado, Gisele teria sido impedida de manter contato frequente com familiares, além de sofrer restrições sobre sua rotina e aparência.
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O casal vivia junto desde 2024. A filha de Gisele, de sete anos, não estava no imóvel no momento do disparo.
Versões divergentes
Em depoimento inicial, Geraldo afirmou que discutiu com a esposa após ela mencionar que queria se separar. Disse que foi tomar banho e, pouco depois, ouviu o disparo. Ao sair do banheiro, relatou ter encontrado Gisele caída, segurando a arma dele.
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita pela Polícia Civil. A investigação está sob responsabilidade do 8º Distrito Policial do Brás.
O que diz a perícia
A perícia da Polícia Técnico-Científica utilizou luminol e encontrou vestígios de sangue no box do banheiro — local onde o tenente-coronel afirmou estar no momento do disparo. O laudo necroscópico apontou que o tiro foi dado com o cano da arma encostado no lado direito da cabeça da vítima.
O exame residuográfico, que identifica resíduos de pólvora, teve resultado negativo tanto para as mãos da soldado quanto para as do oficial. Novos exames estão em andamento para esclarecer quem efetuou o disparo.
Afastamento
A Polícia Militar confirmou que o tenente-coronel solicitou afastamento de suas funções, pedido que foi aceito pela corporação. Até o momento, ele não é formalmente tratado como investigado.
A Polícia Civil avalia, inclusive, a possibilidade de pedir exumação do corpo para aprofundar a análise pericial, caso considere necessário. A medida dependerá de autorização judicial.
Enquanto as circunstâncias da morte seguem sob apuração, familiares pedem respostas e reforçam que Gisele não apresentava sinais de comportamento suicida, defendendo que o caso seja investigado com rigor.




