CentroesteNews
07/08/2025
Entre os dias 13 e 17 de agosto, o Estado de Mato Grosso sediará a primeira edição dos Jogos dos Povos Indígenas, um evento inédito que marcará a valorização e o fortalecimento das práticas culturais e esportivas dos povos originários. A competição será realizada na Aldeia Curva, território do povo Rikbaktsa, localizada no município de Brasnorte, a cerca de 580 km de Cuiabá.
Organizado pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) e com apoio do Governo do Estado, o evento promete integrar as 46 etnias que habitam as 76 terras indígenas espalhadas pelo território mato-grossense, abrangendo todas as sete regionais representadas pela Fepoimt: Cerrado/Pantanal, Norte, Médio Araguaia, Noroeste, Xavante, Vale do Guaporé e Xingu.
“Estão confirmados os nossos primeiros Jogos Indígenas da história de Mato Grosso, unindo esporte e cultura. Este evento vai fomentar o intercâmbio esportivo e cultural entre as diversas comunidades indígenas do Estado”, afirmou David Moura, secretário de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso.
Esporte tradicional, saberes ancestrais e resistência cultural
As competições contarão com disputas masculinas e femininas, realizadas tanto de forma individual quanto em grupos, mesclando modalidades indígenas tradicionais com práticas adaptadas, como:
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Arremesso de lança
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Arco e flecha
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Atletismo
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Cabo de força
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Canoagem
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Natação
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Futebol
Além da parte esportiva, a programação cultural será um dos pilares do evento. Estão previstas apresentações de jogos tradicionais, como o Huka Huka (luta corporal típica do povo Xinguano) e a corrida com tora, que exigem força, técnica e cooperação.
Outro destaque será a escolha da Rainha dos Jogos, além de uma ampla feira com exposição e comercialização de artesanatos indígenas, apresentações de danças, cantos cerimoniais e rodas de conversa com líderes das comunidades.
Fortalecimento político, identidade e reconhecimento
Para a presidente da Fepoimt, Eliane Xunakalo, os Jogos representam muito mais que uma competição esportiva. Trata-se de uma ação política e simbólica que promove o reconhecimento institucional das práticas culturais indígenas e sua presença ativa na construção social do Estado.
“Os Jogos Indígenas buscam provocar um debate necessário sobre o reconhecimento e institucionalização desses esportes no âmbito estadual. Trata-se de promover a união entre os povos, estimular a troca de saberes e fortalecer o esporte como uma ferramenta de resistência cultural e fortalecimento político-social”, afirmou Xunakalo.
A expectativa dos organizadores é que o evento se consolide como um marco na política pública de valorização dos povos originários, com potencial para se tornar uma agenda permanente e oficial do calendário estadual de eventos.