CentroesteNews
08/07/2025
Um estudo clínico internacional com coautoria da Universidade de São Paulo (USP) mostrou resultados promissores com o uso do medicamento Sotatercept no tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP) — doença rara e grave que afeta os vasos sanguíneos dos pulmões. A pesquisa foi publicada na revista The New England Journal of Medicine.
O novo fármaco reduziu em 76% o risco de hospitalização, transplante ou morte entre pacientes com estágios avançados da doença, segundo o professor Rogério de Souza, da Faculdade de Medicina da USP, um dos autores do estudo.
A HAP afeta principalmente mulheres entre 40 e 50 anos, causando fadiga extrema e falta de ar. Muitas vezes é diagnosticada tardiamente, por ser confundida com outras doenças respiratórias e cardíacas. A estimativa é de 5 mil casos no Brasil.
Tratamento de alto custo
O Sotatercept já foi aprovado pelas agências reguladoras dos Estados Unidos (FDA) e da Europa (EMA), e recebeu registro na Anvisa em 2024, mas ainda não está disponível no SUS.
De aplicação subcutânea a cada três semanas, o medicamento é considerado de alto custo, mas pode evitar transplantes de pulmão e permitir que os pacientes retomem uma vida ativa.
Segundo o professor Rogério de Souza, o próximo passo é sensibilizar autoridades de saúde sobre a importância da incorporação do tratamento ao sistema público. O Ministério da Saúde informou que a Conitec ainda não recebeu solicitação para avaliar o medicamento.
Atualmente, o SUS oferece gratuitamente medicamentos como ambrisentana, bosentana, selexipague, iloprosta e sildenafila, conforme protocolos clínicos.