CentroesteNews
28/01/2026
Um levantamento da Operação Gorjeta, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, revelou que institutos e associações receberam R$ 6.468.827,81 em emendas parlamentares destinadas por 11 vereadores de Cuiabá para a realização de corridas de rua. Os repasses estão no centro de uma investigação que apura desvios de recursos públicos, associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.
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Entre os parlamentares investigados está o vereador Chico 2000 (PL), que já foi afastado do cargo por decisão judicial. Segundo as apurações, os recursos foram direcionados a entidades que promoviam eventos esportivos, mas parte do dinheiro teria retornado aos próprios parlamentares responsáveis pelas emendas, por meio de um esquema articulado com institutos e empresas.
Os dados mostram que os valores repassados variaram de R$ 200 mil a mais de R$ 1,4 milhão por emenda, muitas delas posteriormente modificadas. Um ponto que chamou atenção dos investigadores foi o caso da Associação Brasil de Todos, que recebeu duas emendas idênticas, no valor de R$ 1.456.276,20, em um intervalo de apenas 15 dias, destinadas por vereadores diferentes, levantando suspeitas de direcionamento irregular de verbas.
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Além de Chico 2000, a operação também tem como alvos empresários, ex-servidores da Câmara Municipal, o Instituto Brasil Central (IBRACE) e outras entidades. Embora tenha sido solicitado o pedido de prisão do parlamentar afastado, a Justiça optou pela aplicação de medidas cautelares, incluindo proibição de contato com outros investigados, restrição de acesso à Câmara e à Secretaria Municipal de Esportes, entrega de passaporte e impedimento de sair da comarca.
Como parte das medidas judiciais, também foram determinados bloqueios financeiros superiores a R$ 676 mil, além do sequestro de veículos, embarcação, imóveis e outros bens. O Poder Executivo e o Legislativo municipal estão proibidos de contratar ou nomear qualquer um dos investigados enquanto o processo estiver em andamento.
As investigações apontam que o grupo teria atuado de forma organizada por pelo menos três anos, utilizando emendas parlamentares como instrumento para desvio de recursos, sob a justificativa de fomentar eventos esportivos no município.