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ONS alerta risco de apagões e defende retorno do horário de verão para garantir energia nos horários de pico

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CentroesteNews

09/07/2025

 

O sistema elétrico brasileiro pode enfrentar dificuldades para suprir a demanda de energia nos horários de pico, especialmente no fim do dia, nos próximos cinco anos. A análise consta do Plano da Operação Energética (PEN 2025), divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que avaliou as condições de atendimento do Sistema Interligado Nacional (SIN) entre 2025 e 2029.

Segundo o documento, será necessário recorrer a usinas térmicas flexíveis para garantir o fornecimento de energia nos momentos de maior consumo. Entre as possíveis medidas complementares está o retorno do horário de verão, que dependerá das projeções futuras. O ONS alerta que, apesar do crescimento da geração de energia no país — principalmente das fontes eólica, solar e de microgeração distribuída — essas tecnologias geram pouca ou nenhuma energia no período noturno, quando a demanda é maior.

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A estimativa é que, até 2029, a capacidade instalada aumente em 36 gigawatts, totalizando 268 GW. A energia solar, somada à geração distribuída, representará cerca de 33% da matriz elétrica, tornando-se a segunda maior fonte do sistema. No entanto, o avanço das fontes renováveis traz novos desafios, como a necessidade de maior flexibilidade na operação das hidrelétricas e o uso mais frequente das termelétricas.

O PEN aponta que a partir de outubro deste ano pode ser necessário intensificar o despacho térmico para manter o equilíbrio do sistema. Ainda assim, o ONS desaconselha a inclusão de termelétricas inflexíveis ou de acionamento lento, recomendando fontes mais adaptáveis à variação de demanda.

O plano também destaca que um leilão previsto para contratar reserva de potência, agendado para 2023, foi cancelado após sucessivos adiamentos e revogação da portaria que o regulamentava. Um novo leilão depende da publicação de novas regras pelo Ministério de Minas e Energia, e poderá ser realizado pela Aneel na plataforma da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

No período de 2026 a 2029, o documento identifica risco elevado de insuficiência de potência, com violação dos critérios de segurança em todos os anos avaliados. O ONS recomenda a realização anual de leilões de reserva para equilibrar a oferta.

O relatório também chama a atenção para a entrada de cargas especiais, como datacenters e projetos de hidrogênio verde, que exigem fornecimento contínuo de energia e pouca flexibilidade. Esse cenário pode agravar ainda mais o desafio de atendimento à demanda, especialmente durante o pico noturno.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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