CentroesteNews
01/07/2025
Um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, condição que impacta diretamente a saúde física, mental e o bem-estar social. Segundo o documento, a solidão está associada a cerca de 100 mortes por hora no planeta — mais de 871 mil mortes por ano.
O estudo foi elaborado pela Comissão sobre Conexão Social da OMS, que alerta para os custos humanos e econômicos da solidão e do isolamento social, considerados problemas de saúde pública com efeitos de longo alcance.
“Nesta era em que as possibilidades de conexão são infinitas, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Conceitos e dados preocupantes
A OMS define conexão social como a forma como as pessoas se relacionam e interagem entre si. Já a solidão é descrita como um sentimento doloroso gerado pela diferença entre o nível de conexão social desejado e o real. O isolamento social, por sua vez, refere-se à falta objetiva de conexões, e não se relaciona com o distanciamento adotado durante a pandemia da covid-19.
O relatório aponta que a solidão afeta principalmente jovens e pessoas que vivem em países de baixa e média renda. Entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos relataram se sentir solitários, com índices ainda mais altos entre adolescentes. Nos países de baixa renda, 24% das pessoas se dizem solitárias — mais que o dobro do índice em países ricos (11%).
Também são mais vulneráveis à solidão pessoas com deficiência, refugiados, LGBTQIA+, indígenas e minorias étnicas, que enfrentam barreiras sociais e discriminação.
Causas e impactos à saúde
Entre os fatores que contribuem para a solidão estão problemas de saúde, baixa renda, escolaridade limitada, viver sozinho, falta de políticas públicas eficazes e infraestrutura comunitária precária. A tecnologia também é apontada como fator de atenção, especialmente entre jovens, devido ao excesso de tempo de tela e a interações online negativas.
A solidão e o isolamento social estão associados a doenças graves, como:
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Acidente vascular cerebral (AVC);
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Problemas cardíacos;
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Diabetes;
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Declínio cognitivo;
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Depressão e ansiedade;
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Risco aumentado de morte precoce.
Além disso, adolescentes solitários têm 22% mais chances de obter notas baixas, e adultos solitários podem enfrentar dificuldades para encontrar ou manter empregos, resultando em menores rendimentos ao longo da vida.
Soluções e recomendações globais
O relatório apresenta um plano de ação global, com cinco frentes prioritárias:
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Formulação de políticas públicas inclusivas;
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Apoio à pesquisa científica sobre conexão social;
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Desenvolvimento de intervenções eficazes;
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Melhoria na medição dos indicadores de conexão (inclusive com a criação de um índice global);
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Engajamento público para promover uma cultura de acolhimento e empatia.
Entre as soluções práticas sugeridas estão: criação de espaços públicos de convivência, como parques, bibliotecas e centros comunitários, além de ações individuais simples, como:
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Fazer contato com amigos;
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Cumprimentar vizinhos;
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Participar de grupos ou atividades locais;
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Buscar apoio psicológico em casos mais graves.
“Cada pessoa pode fazer a diferença com atitudes simples e cotidianas. Se o problema for mais sério, é essencial procurar ajuda e serviços disponíveis”, conclui a OMS.