CentroesteNews
28/07/2025
Uma combinação perigosa para a saúde está ganhando destaque na medicina preventiva: a obesidade sarcopênica, que une dois fatores críticos — gordura abdominal em excesso e perda de massa muscular esquelética. Segundo estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London (Reino Unido), essa condição eleva em mais de 80% o risco de mortalidade em comparação com pessoas que não apresentam as duas alterações associadas.
A pesquisa reforça a importância de uma abordagem integrada da saúde, especialmente com o avanço da idade, quando a perda muscular se torna mais frequente.
O que é obesidade sarcopênica?
A obesidade sarcopênica é caracterizada pela presença simultânea de obesidade abdominal e baixa massa muscular. Segundo os critérios da pesquisa:
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Obesidade abdominal: circunferência da cintura maior que 102 cm para homens e 88 cm para mulheres;
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Baixa massa muscular: determinada por meio do índice de massa muscular esquelética, que avalia a proporção de músculos em relação ao peso total.
A condição costuma ser subdiagnosticada, já que pessoas com peso elevado podem aparentar estar “fortes”, mesmo com massa muscular comprometida.
Impacto na terceira idade
A professora e pesquisadora Valdete Regina Guandalini, do Departamento de Gerontologia da UFSCar, destaca que a obesidade sarcopênica afeta principalmente idosos, comprometendo a autonomia física, a mobilidade e a qualidade de vida.
“Embora a perda muscular seja natural a partir dos 40 anos, ela pode ser acelerada ou retardada por hábitos de vida”, explica Valdete. “Fatores como sedentarismo, má alimentação, álcool, cigarro e privação de sono impactam diretamente esse processo.”
Ela alerta que o quadro é preocupante, pois a perda de força muscular combinada com gordura visceral pode levar ao agravamento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, osteoporose e quedas.
Outros dados do estudo
A pesquisa também mostrou que:
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Pessoas com apenas obesidade abdominal, mas com massa muscular preservada, apresentaram redução de 36% no risco de morte em relação aos que tinham a forma combinada da doença;
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Indivíduos com baixa massa muscular, mas sem obesidade abdominal, tiveram redução de até 40% no risco de mortalidade.
Os dados foram obtidos a partir da análise de mais de 10 mil voluntários com mais de 50 anos, acompanhados por mais de 8 anos em estudos de coorte realizados no Brasil e no Reino Unido.
Prevenção e saúde muscular
A prevenção da obesidade sarcopênica passa por hábitos de vida saudáveis, como:
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Atividade física regular, especialmente exercícios de força e resistência;
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Alimentação equilibrada, rica em proteínas, fibras, vitaminas e minerais;
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Evitar álcool e cigarro;
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Sono de qualidade;
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Acompanhamento médico e nutricional contínuo, principalmente a partir dos 40 anos.
“É possível envelhecer com saúde muscular e metabólica. O segredo está em manter o corpo ativo e bem nutrido ao longo da vida”, afirma Valdete.