CentroesteNews
12/01/2026
Mesmo diante da dramática mudança no cenário político da Venezuela após a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro, o destino de cerca de 31 toneladas de ouro venezuelano permanece inalterado: o metal precioso continua retido nos cofres do Banco da Inglaterra, em Londres, sem qualquer previsão de liberação.
As reservas pertencem formalmente ao Banco Central da Venezuela (BCV) e fazem parte de uma das disputas jurídicas internacionais mais complexas da última década. Avaliado em cerca de US$ 4,4 bilhões, o ouro se tornou símbolo do colapso institucional do país, da fragmentação do poder político e da interferência direta da diplomacia internacional sobre ativos soberanos.
O impasse não é financeiro, mas jurídico e político. Desde 2019, tribunais britânicos analisam quem tem legitimidade para administrar as reservas venezuelanas no exterior. De um lado, representantes indicados pelo antigo regime chavista; do outro, nomes ligados à oposição, reconhecida por anos pelo governo do Reino Unido como autoridade legítima da Venezuela.
Enquanto essa disputa não for encerrada formalmente, o Banco da Inglaterra mantém o ouro sob custódia, alegando não poder atender ordens contraditórias. Mesmo a recente mudança no comando do país sul-americano, agora liderado por Delcy Rodríguez, não altera automaticamente o entendimento das cortes britânicas.
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A permanência do ouro em Londres ocorre em meio à ofensiva dos Estados Unidos sobre os recursos estratégicos venezuelanos. O presidente Donald Trump deixou claro que o foco central de Washington é o acesso irrestrito às reservas de petróleo, mas também mencionou interesse em outros ativos minerais do país, como ouro, coltan e diamantes.
Apesar disso, especialistas avaliam que qualquer tentativa de desbloqueio do ouro venezuelano dependerá menos de declarações políticas e mais de uma decisão definitiva da Justiça britânica, que tradicionalmente atua com cautela em disputas envolvendo reconhecimento de governos estrangeiros.
Para a Venezuela, o ouro retido representa mais do que bilhões de dólares parados: é a impossibilidade de reforçar reservas internacionais, importar alimentos e medicamentos em larga escala ou estabilizar a moeda nacional. Para a comunidade internacional, o caso expõe como ativos soberanos podem se tornar reféns de disputas políticas globais.
Até o momento, não há qualquer sinal concreto de que o Banco da Inglaterra esteja disposto a liberar o ouro sem uma ordem judicial clara. Assim, mesmo com a queda de Maduro, o ouro venezuelano segue congelado (física e politicamente) a milhares de quilômetros de Caracas.