Uma nuvem tóxica paira sobre Teerã após ataques a instalações petrolíferas, causando sintomas preocupantes na população e levantando alertas globais sobre saúde e segurança.
Duas semanas após os bombardeios que atingiram depósitos de petróleo em Teerã no dia 7 de março, a capital iraniana enfrenta uma grave crise ambiental e de saúde. Uma densa nuvem tóxica formada pela queima de petróleo permanece sobre a cidade, expondo seus moradores a poluentes perigosos como fuligem, dióxido de enxofre e partículas de óleo. Para piorar, uma tempestade ocorrida logo após os ataques trouxe uma chuva encharcada de petróleo, agravando o impacto sobre a população.
Moradores já relatam sintomas como dores de cabeça, irritação nos olhos e pele, além de dificuldades respiratórias. Especialistas alertam que essas manifestações podem ser apenas o início de problemas mais graves, com possíveis riscos a longo prazo de doenças cardiovasculares, câncer e danos irreversíveis ao DNA. O alerta também foi reforçado pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que mencionou os perigos de contaminação de alimentos, água e ar, especialmente para crianças, idosos e pessoas vulneráveis.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destacou que a fumaça foi inalada diretamente por crianças e adultos, despertando sérias preocupações com os impactos duradouros na saúde humana e na qualidade ambiental. Andrea Sella, professora de química na University College London, afirmou que o grau de risco dependerá da intensidade e da duração da exposição. Ela também alertou para a possibilidade de contaminação do abastecimento de água potável, prevendo um legado de enfermidades respiratórias nos próximos anos.
Além do impacto ambiental, a tensão geopolítica se intensifica. O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um “alerta global” para cidadãos americanos sob risco de retaliações, citando possíveis ataques a locais frequentados por americanos e israelenses, especialmente no Oriente Médio. Autoridades do Irã afirmaram que esses ataques seriam uma resposta ao “assassinato de funcionários do governo e comandantes iranianos”.
A crise em Teerã deixa um rastro de preocupações em múltiplas frentes, aumentando a insegurança local, os riscos para a saúde global e os receios de agravamento dos conflitos internacionais.