A Natura anunciou a criação da Natura Ingredientes, uma startup voltada à comercialização de bioingredientes amazônicos para outras empresas. A iniciativa busca ampliar o mercado de matérias-primas produzidas de forma sustentável, conectando a experiência da companhia em cadeias da sociobiodiversidade com indústrias interessadas em ingredientes naturais, rastreáveis e de origem responsável.
A nova empresa inicia suas operações com um portfólio de 24 bioingredientes da Amazônia, incluindo óleos, manteigas e ingredientes aromáticos utilizados em diferentes segmentos industriais. Entre as espécies que compõem a linha inicial estão andiroba, tucumã, castanha-do-pará, murumuru, priprioca e ishpink, reconhecidas pelo potencial de aplicação nos setores de cosméticos, alimentos e outros produtos naturais.
Os primeiros contratos de fornecimento estão previstos para 2026, com a expectativa de ampliar a presença desses ingredientes no mercado nacional e internacional. A proposta é aproveitar a estrutura desenvolvida pela Natura ao longo de décadas de atuação junto às comunidades amazônicas, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis e incentivando novos negócios baseados na biodiversidade.
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Segundo a empresa, em 2025, 13,1% de todas as matérias-primas utilizadas em sua produção tiveram origem na Amazônia. Atualmente, suas cadeias produtivas envolvem 43 comunidades brasileiras e mais de 11 mil famílias distribuídas pela Pan-Amazônia. Apenas no último ano, a companhia investiu R$ 62,39 milhões nas comunidades fornecedoras da região.
Além de ampliar o mercado para os produtos da sociobiodiversidade, a iniciativa busca agregar valor aos recursos florestais e incentivar o processamento das matérias-primas próximo às áreas de origem. A expectativa é gerar novas oportunidades de emprego e renda para comunidades locais, ao mesmo tempo em que promove a conservação da floresta por meio de atividades econômicas sustentáveis.
Especialistas apontam que um dos principais desafios da bioeconomia amazônica é transformar a riqueza da biodiversidade em cadeias produtivas capazes de gerar inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico, mantendo a floresta preservada e valorizando o conhecimento das populações tradicionais.