A NASA enviou três foguetes suborbitais em duas missões científicas para investigar um dos fenômenos naturais mais fascinantes do planeta: a aurora boreal. Os lançamentos ocorreram no Campo de Pesquisa Poker Flat, no Alasca, com o objetivo de compreender o complexo circuito elétrico que sustenta o espetáculo luminoso no céu polar.
A primeira missão, chamada Black and Diffuse Auroral Science Surveyor, foi lançada em 9 de fevereiro e alcançou cerca de 360 quilômetros de altitude. Já a segunda, batizada de Geophysical Non-Equilibrium Ionospheric System Science (Gneiss), enviou dois foguetes no dia seguinte, atingindo aproximadamente 319 quilômetros de altitude.
A missão Black and Diffuse foi liderada pela pesquisadora Marilia Samara, da NASA, enquanto a Gneiss teve à frente a cientista Kristina Lynch, do Dartmouth College.
O que os cientistas querem descobrir
A formação da aurora boreal já é relativamente conhecida. O fenômeno ocorre quando elétrons energizados vindos do espaço entram na atmosfera terrestre e colidem com gases como oxigênio e nitrogênio. Essas colisões liberam energia em forma de luz, criando as cortinas verdes, roxas e avermelhadas no céu.
Mas ainda existe um mistério: para onde vão esses elétrons depois que energizam os gases atmosféricos?
Os pesquisadores sabem que há uma chamada “corrente de retorno”, mas ela acontece de forma turbulenta e desorganizada, influenciada por ventos atmosféricos, diferenças de pressão e variações nos campos elétricos e magnéticos da Terra. Essa dinâmica caótica dificulta medições precisas.
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Por isso, as missões decidiram observar o fenômeno diretamente dentro da aurora.
Como funcionaram as missões
Ao atingir a região da aurora, os foguetes da missão Gneiss liberaram quatro submódulos em pontos diferentes. Esses equipamentos mediram a densidade do plasma — um gás ionizado presente na ionosfera — e rastrearam o caminho das correntes elétricas.
Com os dados coletados, os cientistas conseguiram montar uma espécie de imagem tridimensional do ambiente elétrico da aurora. Segundo Kristina Lynch, o processo é comparável a uma tomografia computadorizada do plasma, permitindo visualizar estruturas invisíveis a olho nu.
Já a missão Black and Diffuse focou nas chamadas “auroras negras”, áreas escuras dentro do fenômeno luminoso. Essas regiões podem conter pistas importantes sobre o momento em que a corrente elétrica muda de direção e se torna instável.
Impacto além da ciência
O estudo não tem apenas valor acadêmico. Entender o funcionamento elétrico das auroras é fundamental para prever e mitigar efeitos do clima espacial.
As correntes associadas às auroras podem interferir em satélites, sistemas de GPS, redes de comunicação e até na infraestrutura elétrica em solo. Ao compreender melhor o comportamento do plasma e das correntes elétricas na ionosfera, a comunidade científica pode aprimorar sistemas de proteção contra falhas tecnológicas.
Os dados coletados pelas duas missões ainda serão analisados nos próximos meses. A expectativa é que tragam respostas sobre a dinâmica elétrica da aurora e contribuam para tornar mais seguras as tecnologias que dependem do espaço.




