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Mudanças climáticas e poluição do ar aumentam casos de AVC no Brasil País registrou seis mortes a cada hora por conta da doença em 2024

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As mudanças climáticas puderam ser amplamente sentidas em todo o mundo em 2024. Apenas este ano, enchentes atingiram o Rio Grande do Sul, o Acre, Cuba e Espanha. Ondas de calor extremo castigaram todo o território brasileiro, principalmente o Sudeste e o Centro-Oeste. Em Porto Alegre, no auge do inverno, os termômetros marcaram 29 graus em 23 de julho, temperatura quase 10 graus acima da média máxima para o mês, segundo a MetSul Meteorologia. O país ainda registrou 68.635 focos de queimadas em agosto, conforme aponta o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O que contribuiu para a piora na qualidade do ar brasileiro.

Esses eventos climáticos somados à poluição do ar têm trazido alguns outros perigos silenciosos, como o aumento dos números de casos e de mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC). Segundo os dados mais recentes do Portal de Transparência do Registro Civil, mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen Brasil), o país registrou 39.345 óbitos pela doença de janeiro a 20 de agosto de 2024. O número equivale a seis óbitos por hora.

De acordo com informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, de janeiro a agosto de 2024, o Rio Grande do Sul (RS) registrou 12.258 internações no SUS por AVC. Número um pouco maior que no ano passado: 12.134. Segundo o documento, em 2023 foram 4.710 mortes no estado decorrentes da doença. Fazendo um panorama do cenário nos últimos dez anos, de 2013 a 2023, o RS teve 172.427 internações no SUS por Acidente Vascular Cerebral. Foram 50.295 óbitos nesse período.

Embora seja uma condição amplamente prevenível e tratável,o número de casos mo mundo aumentou 70% entre 1990 e 2021, segundo um estudo recém-publicado pela revista científica The Lancet Neurology. De acordo com a pesquisa, houve crescimento de 44% nas mortes decorrentes de derrame cerebral –  como também é conhecido –  além de um aumento de 32% na piora da saúde relacionada à doença.

Na análise dos pesquisadores, essa elevação pode ser atribuída tanto ao crescimento populacional quanto ao aumento do envelhecimento da população mundial, além da maior exposição aos fatores de risco comportamentais e ambientais.

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Nesse último aspecto, inclusive, o estudo destacou que, no total, 84% da carga da condição em 2021 está associada a 23 fatores de risco modificáveis, incluindo o calor e a poluição do ar, enquanto a hipertensão arterial (pressão alta) continua sendo o principal fator de risco para o AVC. Essa é a primeira vez que uma análise indica que a poluição do ar por partículas é um dos principais fatores de risco para AVC hemorrágico, contribuindo para 14% das mortes e incapacidades associadas a esse subtipo de AVC, um nível comparável ao risco relacionado ao tabagismo.

“As mudanças climáticas impactam diretamente a saúde pública, exacerbando condições que já eram preocupantes e criando riscos. O calor extremo, por exemplo, pode levar à desidratação, o que aumenta a viscosidade do sangue e, consequentemente, o risco de formação de coágulos. Além disso, o calor provoca estresse no sistema cardiovascular, elevando a pressão arterial e o ritmo cardíaco, ambos fatores que contribuem para o desenvolvimento de AVC”, explica a pesquisadora e neurologista, Sheila Ouriques Martins, que preside a Rede Brasil AVC e a World Stroke Organization (WSO).

Com relação à poluição, a especialista explica que, especialmente a inalação de partículas finas e gases tóxicos, tem sido associada a inflamações e danos nos vasos sanguíneos. Essas partículas podem causar estresse oxidativo e inflamação sistêmica, levando ao estreitamento das artérias e comprometendo o fluxo sanguíneo. “Estudos mostram que a exposição prolongada à poluição do ar pode aumentar a incidência de AVCs, especialmente entre populações vulneráveis, como idosos e pessoas com condições preexistentes” diz.

Pressão no sistema de saúde

A presidente da Rede Brasil AVC e da WSO ressalta que outro aspecto relevante da atual crise climática é a pressão sobre os sistemas de saúde. “Em períodos como esse, os serviços de saúde podem ficar sobrecarregados e desorganizados, dificultando a resposta à emergências médicas como o AVC. A combinação de um aumento nas taxas de AVC, junto com a capacidade limitada de resposta dos serviços de saúde, representa um cenário preocupante”, salienta.

Fatores de risco

Além da hipertensão, sedentarismo, excesso de peso corporal, tabagismo, abuso de álcool, e a alimentação não saudável são fatores que contribuem para o risco de AVC.

Na última terça-feira (29) foi o Dia Mundial do AVC, que foca na importância do controle desses fatores, já que até 90% dos casos da doença podem ser prevenidos. Check-ups regulares; acompanhamento da pressão arterial; alimentação saudável; prática de exercícios e evitar o fumo são alguns dos pontos destacados para prevenção. “O enfrentamento ao AVC requer uma abordagem multifacetada, com a implementação de políticas integradas que promovam a saúde pública e a proteção ambiental. É preciso promover estilos de vida saudáveis e garantir acesso equitativo a cuidados de saúde”, pontua Sheila. “Somente por meio de uma abordagem colaborativa e abrangente será possível mitigar os impactos dos fatores de risco na incidência de AVC e proteger a saúde das populações em todo o mundo”, conclui.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

 

 

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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