CentroesteNews
02/12/2025
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O publicitário Marcos Valério, condenado no escândalo do Mensalão e considerado o principal operador do esquema à época, voltou ao centro das investigações. Ele é um dos alvos da Operação Ambiente 186, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Polícia Civil nesta quarta-feira (2), contra uma rede de atacadistas e supermercados suspeita de montar um robusto esquema de sonegação fiscal, fraude tributária e lavagem de dinheiro.
Segundo o MPMG, o grupo teria deixado de recolher mais de R$ 215 milhões em ICMS, por meio de um sistema empresarial montado para simular operações interestaduais e mascarar a circulação real de mercadorias. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em várias cidades de Minas.
Após 18 meses de investigações, promotores e delegados identificaram um complexo arranjo criminoso envolvendo empresários dos setores atacadista e varejista. O objetivo central era evitar o pagamento de impostos estaduais e ampliar os lucros ilegais.
O método incluía:
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Empresas de fachada, abertas exclusivamente para emitir notas fiscais frias;
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Simulações de operações interestaduais para burlar o ICMS devido;
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Esquema de substituição tributária fraudado, reduzindo artificialmente o preço final dos produtos;
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Ocultação da verdadeira movimentação financeira, com lavagem de dinheiro e patrimônio incompatível;
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Apropriação direta do imposto, que deveria ser recolhido ao Estado.
As ações eram coordenadas para manter a competitividade desleal, prejudicar concorrentes e gerar um fluxo milionário de recursos desviados.
Agora, o foco dos investigadores é o rastreamento do patrimônio dos suspeitos e a análise detalhada das movimentações contábeis. A suspeita é que valores sonegados tenham sido reinseridos no mercado por meio de:
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compra de imóveis,
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investimentos empresariais,
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veículos e ativos de alto valor.
Até o momento, não há divulgação de prisões ou do número total de investigados. O MPMG indicou que as responsabilizações ocorrerão conforme as provas forem consolidadas.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal como operador do Mensalão, Marcos Valério sempre esteve associado a grandes esquemas de lavagem de dinheiro e triangulações financeiras. A nova operação reacende debates sobre seu possível retorno a práticas semelhantes, mesmo após cumprir parte de sua pena.
Sua presença na lista de alvos fortalece a hipótese de que o esquema mineiro pode ter recebido suporte de nomes experientes em ocultação patrimonial.