CentroesteNews
01/12/2025
A disputa pela vaga no Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos políticos com a articulação acelerada do advogado-geral da União, Jorge Messias. Com a sabatina marcada para 10 de dezembro (data que o governo tenta adiar) o AGU entrou em “modo atirador”, segundo articuladores ouvidos pelo Estadão, adotando a estratégia de buscar votos em todas as direções para reverter o cenário adverso no Senado.
Messias tem se empenhado em marcar reuniões presenciais com o maior número possível de senadores, mesmo entre aqueles que já manifestaram resistência. Quando não é recebido, lança mão de ligações diretas na tentativa de quebrar resistências individuais. O clima é de corrida contra o tempo.
Paralelamente, ministros do próprio Supremo (André Mendonça, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Nunes Marques) passaram a ligar para parlamentares pedindo apoio ao nome do AGU, reforçando o peso institucional da articulação.
O indicado também tenta uma reunião com Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu principal concorrente antes da escolha de Lula. Uma aproximação entre ambos é vista pelo governo como fundamental para amenizar resistências, especialmente entre aliados de Pacheco.
Nos primeiros dias de articulação, Messias priorizou conversas com governistas e senadores considerados “mais seguros”, principalmente do PSD e do MDB, além do relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), que classificou sua missão como “uma granada sem pino”.
A fase mais difícil vem agora: Messias precisa dialogar com parlamentares de centro e oposição, que não demonstraram disposição para apoiar sua indicação. O PL, por exemplo, já anunciou a tendência majoritária de votar contra o AGU, embora internamente se admita que dois ou três votos possam ser favoráveis, influenciados pela afinidade religiosa com Messias.
Em meio à disputa, o governo tenta conter a tensão com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Pacheco para o STF. A relação ficou ainda mais delicada após Alcolumbre divulgar nota acusando setores do governo de criarem a impressão de que a crise entre os Poderes poderia ser resolvida por “ajustes fisiológicos”.
Gleisi Hoffmann rebateu dizendo que o governo jamais reduziria a relação institucional a “negociações de cargos e emendas”, aumentando o atrito.
Apesar do desconforto, Alcolumbre afirma que não trabalhará contra Messias, mas também não moverá esforços a favor.
O impasse levou o governo a segurar o envio formal da mensagem de indicação ao Senado, atrasando a tramitação. Nos bastidores, o atraso é visto como estratégia para empurrar a votação para 2025, ampliando o tempo para articulação.