O Brasil vive um momento decisivo no debate sobre a redução da jornada de trabalho. A possibilidade de passar das atuais 44 horas semanais para 40 ,ou até menos, em propostas em discussão, reacendeu conversas no Congresso, nas empresas e entre trabalhadores. Enquanto parte da população defende mais qualidade de vida, representantes da indústria pedem cautela.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o país precisa de um diálogo mais maduro e menos polarizado sobre o tema. Segundo Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da entidade, mudanças estruturais devem considerar o cenário econômico e os impactos reais sobre empresas e empregos.
De acordo com levantamentos apresentados pela entidade, uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais poderia gerar um aumento de custos de até R$ 267,2 bilhões por ano, dependendo da forma como as horas seriam compensadas, seja por pagamento de horas extras ou por novas contratações. Esse valor representaria cerca de 7% da folha de pagamento formal no país.
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Outro ponto levantado é a realidade das micro e pequenas empresas. Cerca de 52% da mão de obra formal está empregada em negócios com até oito funcionários. Para esse grupo, absorver custos adicionais pode ser um desafio maior, principalmente sem aumento proporcional de produtividade.
A discussão também passa pela produtividade brasileira, que historicamente cresce em ritmo lento. Para a indústria, reduzir horas sem melhorar eficiência pode pressionar a competitividade, especialmente em setores como construção civil e comércio.
No Congresso Nacional, propostas sugerem reduzir gradualmente a jornada e revisar a chamada “escala 6×1”. O tema divide opiniões: de um lado, trabalhadores que defendem mais tempo livre e qualidade de vida; de outro, empresários preocupados com custos e impactos no emprego.




