CentroesteNews
30/05/2025
Anna Vitória Bispo
O estado de Mato Grosso concentra a maioria dos municípios que mais desmatam a Amazônia e que não aderiram ao programa União com Municípios, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que oferece apoio financeiro para reduzir o desmatamento e os incêndios florestais.
Dos 81 municípios que mais destruíram o bioma em 2023, 11 ficaram fora do programa — oito deles em Mato Grosso. A exclusão preocupa, já que o estado é o maior produtor de soja do país e registra altas taxas de desmatamento, causadas principalmente pela expansão do agronegócio e queimadas para limpeza de pasto.
Entre os municípios excluídos estão Colniza, Paranaíta, Paranatinga, Nova Maringá, União do Sul, Confresa, Guarantã do Norte e Ribeirão Cascalheira. Segundo o MMA, o desmatamento nesses locais está ligado à abertura de áreas para soja e pecuária, muitas vezes com apoio político e institucional.
A decisão do governo estadual de restringir benefícios fiscais para empresas que aderirem à moratória da soja — um pacto contra o desmatamento — também enfraquece os esforços ambientais. A medida foi sancionada pelo governador Mauro Mendes e celebrada pela Aprosoja-MT.
Além disso, seis das oito prefeituras do estado que não aderiram ao programa são comandadas por grandes fazendeiros. Um dos casos mais emblemáticos é o do prefeito de Paranatinga, Marcos Tomazini, que declarou mais de R$ 94 milhões em patrimônio, incluindo quase 2 mil cabeças de gado e cinco fazendas.
Outros gestores, como o prefeito de Paranaíta, Osmar Mandacaru, estão ligados a movimentos ruralistas como o Instituto Harpia Brasil e o Movimento Invasão Zero, acusados de promover violência contra indígenas e movimentos do campo, além de fazerem campanha contra a moratória da soja.
O programa União com Municípios, criado em 2023, oferece R$ 700 mil iniciais para municípios que se comprometam com ações de controle e prevenção do desmatamento. Os recursos aumentam conforme a redução da devastação é comprovada. Neste ano, o número de participantes subiu de 48 para 70 municípios.
O MMA reforça que a adesão das prefeituras é fundamental para conter a degradação ambiental, já que 78% do desmatamento da Amazônia está concentrado nesses 81 municípios prioritários.