CentroesteNews
09/07/2025
Pacientes oncológicas e representantes da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) realizaram, nesta quarta-feira (9), uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde, em Brasília. O protesto pede a disponibilização imediata de tratamentos para câncer de mama avançado e metastático já aprovados, mas ainda indisponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
A mobilização faz parte da campanha “PCDT Rosa: quantos passos faltam?”, que denuncia a demora na oferta de medicamentos incorporados em 2021 e 2022 e incluídos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Câncer de Mama, publicado em dezembro de 2024.
Segundo a Femama, mesmo após seis meses da publicação do protocolo, pacientes ainda não têm acesso às terapias mais modernas, como inibidores de ciclina e o medicamento trastuzumabe entansina. As mulheres seguem recebendo tratamentos desatualizados, que não são os mais eficazes para casos avançados ou metastáticos.
Impacto nos pacientes
Cintia Cerqueira, de 49 anos, convive com metástases desde 2019 e só conseguiu tratamento adequado após acionar a Justiça, enfrentando uma espera de oito meses. “Dói mais que o câncer saber que existe um medicamento que pode te dar vida, mas que você não tem acesso”, declarou.
A campanha compara o tempo de espera a uma caminhada: considerando uma média de 7 mil passos diários desde 2021, já foram “dados” mais de 8,9 milhões de passos até junho de 2025 — sem que os medicamentos estivessem plenamente disponíveis.
Dados e contexto
O PCDT Rosa tem o objetivo de padronizar o atendimento a pacientes com câncer de mama no SUS.
74 mil novos casos da doença são esperados por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Cerca de 75% da população brasileira depende exclusivamente do SUS.
A Femama afirma que a falta de acesso aos medicamentos reduz a qualidade e a expectativa de vida de pacientes com câncer metastático.
A Femama reforça que a regulamentação é apenas o primeiro passo: a efetividade de uma política pública só se concretiza com a oferta real dos tratamentos previstos.