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Malária silenciosa desafia estratégias de eliminação no Brasil

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CentroesteNews

16/05/2025

Anna Vitória Bispo

 

Pesquisas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP revelam que a maioria das infecções por malária em áreas urbanas da Amazônia pode ser assintomática, especialmente em contextos de baixa transmissão. Esses casos passam despercebidos pelos exames de rotina, dificultando o controle da doença.

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Os estudos foram realizados em Mâncio Lima e Vila Assis Brasil, no Acre — região com alta incidência proporcional de malária. Segundo o pesquisador Marcelo Urbano Ferreira, líder do projeto, a redução da transmissão não significa o fim do problema: “Ela pode esconder um reservatório oculto que continua alimentando a cadeia de infecção”.

Mais de 2.700 moradores de Mâncio Lima foram acompanhados por anos, com coletas periódicas de sangue. Os testes moleculares (PCR) detectaram até dez vezes mais infecções do que a tradicional análise por microscopia. Alarmantemente, mais de 90% dessas infecções eram assintomáticas — sem febre, calafrios ou dor de cabeça.

Como resposta, o município adotou por um período a “busca ativa-reativa”, recomendada pela Opas. A estratégia consiste em testar vizinhos e familiares de casos confirmados, mesmo sem sintomas. Essa abordagem contribuiu para a queda de casos notificados, embora outros fatores também tenham influenciado.

Outro desafio é a perda de sensibilidade dos exames por microscopia ao longo dos anos. Mesmo com parasitas em níveis semelhantes, a chance de detecção caiu. Além disso, estudos genéticos mostraram que os parasitas circulam livremente entre zonas urbanas e rurais, mantendo o risco de reinfecção mesmo após quedas nos casos clínicos.

Em Vila Assis Brasil, apesar da redução de mosquitos transmissores, a infecção detectada por PCR caiu menos do que os casos clínicos, sugerindo que a população está tolerando maiores cargas parasitárias sem sintomas visíveis.

Um terceiro estudo em andamento identificou que 20% da população concentra 80% das infecções por Plasmodium vivax. Esses indivíduos, chamados de “superdisseminadores”, tendem a manter a transmissão ativa mesmo sem apresentar sintomas — um obstáculo importante para os esforços de eliminação.

Esses achados reforçam a necessidade de incorporar métodos moleculares no diagnóstico e de repensar as estratégias de vigilância, especialmente em áreas de baixa transmissão. Para alcançar a meta de eliminar a malária até 2035, o Brasil precisará investir em novas tecnologias e ações específicas para grupos vulneráveis, como trabalhadores rurais e moradores de áreas periurbanas.

Os estudos fazem parte do projeto Estratégias inovadoras para vigilância, controle e eliminação da malária na Amazônia Brasileira (2023–2028), financiado pela Fapesp, com participação de instituições nacionais e internacionais.

 

 

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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