Mais de duas mil profissões no Brasil registraram afastamentos por transtornos mentais em 2025, marcando um recorde preocupante. Dados exclusivos do Ministério da Previdência apontam que mais de 500 mil benefícios foram concedidos por esses motivos, representando a maior marca já registrada pelo país pelo segundo ano consecutivo. Dentre os trabalhadores mais afastados estão vendedores de comércio varejista, faxineiros e auxiliares de escritório, ocupações exigentes ligadas a metas e grandes jornadas de trabalho.
Especialistas explicam que fatores como contratos frágeis, cobrança por resultados e falta de autonomia potencializam o adoecimento mental. A maior parte dos afastamentos está relacionada a ansiedade, depressão e estresse, que juntos somam bilhões em custos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em média, os afastados passaram três meses longe do trabalho, recebendo benefícios que representaram um impacto de quase R$ 4 bilhões aos cofres públicos, segundo estimativas.
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O problema, porém, não se limita à saúde pública. Para trabalhadores e empresas, os transtornos mentais representam custos diretos e indiretos, comprometendo desempenho, produtividade e geração de renda. Estudos da Organização Mundial de Saúde apontam que o mundo perde 12 bilhões de dias úteis por ano devido à depressão e à ansiedade, um prejuízo de US$ 1 trilhão globalmente.
Em resposta a esse cenário, mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), voltada à segurança e saúde no trabalho, poderiam reduzir o impacto ao obrigar empresas a melhorarem as condições laborais e evitarem riscos psicossociais aos trabalhadores. No entanto, mesmo com um prazo estendido, a implementação da nova norma permanece como um desafio, em meio à pressão das empresas para novos adiamentos.
Enquanto isso, os números seguem crescendo, com profissões das áreas de atendimento, segurança pública e produção entre as mais afetadas. Por trás de cada dado, milhões de trabalhadores convivem diariamente com o sofrimento causado pelo descaso com a saúde mental que compromete sua qualidade de vida e o desenvolvimento econômico do Brasil.