O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (7), durante as comemorações dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador (BA), que a oposição não terá argumentos para vencer nas urnas caso o debate seja baseado nos indicadores econômicos do atual governo. Ao mesmo tempo, alertou que o partido deve estar preparado para uma disputa dura em 2026.
“Não tem mais essa de ‘Lulinha paz e amor’. Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar preparados”, declarou o presidente, ao defender postura mais combativa contra adversários e contra o que chamou de desinformação.
Economia como trunfo eleitoral
No discurso, Lula citou a queda da inflação, o aumento real do salário mínimo e os recordes recentes do Ibovespa como sinais de recuperação econômica. Ele mencionou fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, feita na véspera do evento, e afirmou que os resultados econômicos fortalecem a narrativa do governo.
Apesar de brincar que “quando a Bolsa cresce, a gente não ganha nada”, o presidente reconheceu que quedas no mercado afetam toda a economia. Também voltou a defender mudanças no Imposto de Renda, dizendo que considera que “salário não é renda”, embora reconheça que alterações mais amplas dependem de articulação política no Congresso.
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Alianças e futuro político
Lula elogiou novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), destacando a importância da aliança construída em 2022. “Quando é que vocês imaginaram que eu e Alckmin íamos estar juntos? Isso mostra que a política é uma arte”, afirmou.
O presidente defendeu a necessidade de ampliar alianças regionais e reconheceu que o PT precisa se reorganizar em Estados estratégicos, como São Paulo. Ele também declarou que, após um eventual novo mandato, não pretende disputar novamente a Presidência.
“O partido é que tem de ser forte, não é o Lula”, disse, ao criticar disputas internas e defender unidade.
Críticas ao Congresso e ao orçamento
Durante o discurso, Lula voltou a criticar o chamado “orçamento secreto”, afirmando que houve um “sequestro do orçamento do Executivo” por meio de emendas parlamentares. Segundo ele, os valores envolvidos chegam a cerca de R$ 60 bilhões neste ano.
O presidente também afirmou que a política se tornou excessivamente mercantilizada e fez um apelo para que parlamentares do PT e aliados mantenham compromisso programático.
Política internacional e recado à militância
Lula reiterou solidariedade ao povo cubano e defendeu que a situação da Venezuela seja resolvida internamente, sem interferência externa. Também destacou a parceria comercial com a China, classificando-a como “respeitosa e exitosa”.
Em relação ao cenário eleitoral, afirmou que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo e questionou por que parte desse público vota na oposição. Defendeu diálogo direto com comunidades religiosas e reforçou que a disputa de 2026 envolverá um embate de narrativas.
“O que está em jogo é a democracia desse país”, declarou.
Haddad fala em democracia “frágil”
Em São Paulo, o ministro Fernando Haddad lançou o livro “Capitalismo superindustrial” e afirmou que a democracia brasileira é “problemática” e “frágil”, argumentando que historicamente parte da elite encara o Estado como propriedade própria.
Haddad também analisou o avanço da extrema-direita nas últimas décadas e defendeu a construção de alternativas para enfrentar desigualdades estruturais do capitalismo contemporâneo.