CentroesteNews
11/12/2025
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, que anulou a votação da Câmara e determinou a cassação imediata do mandato de Carla Zambelli (PL-SP), provocou forte reação dentro da oposição. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou a medida como uma “usurpação institucional”, afirmando que Moraes ultrapassou os limites entre os Poderes.
Para o parlamentar, a Câmara exerceu sua autonomia ao votar o caso, e a intervenção do Supremo representaria, segundo ele, uma quebra da separação constitucional entre Legislativo e Judiciário.
A decisão do ministro foi tomada após a Câmara rejeitar a cassação da deputada, com 227 votos favoráveis, abaixo dos 257 necessários. Moraes destacou que a votação era inconstitucional, pois a perda de mandato é automática quando há condenação criminal em regime fechado com trânsito em julgado.
Seguindo esse entendimento, o ministro ordenou que o suplente Adilson Barroso (PL-SP) tome posse em até 48 horas, sob responsabilidade da Mesa Diretora conduzida por Hugo Motta (Republicanos-PB).
Carla Zambelli foi condenada por:
-
contratar o hacker Walter Delgatti para invadir sistemas do CNJ e inserir um falso mandado de prisão contra Moraes;
-
porte ilegal de arma e perseguição armada durante as eleições de 2022.
Após a condenação, Zambelli fugiu para a Itália, onde acabou presa. O governo brasileiro já solicitou sua extradição, que segue em análise pela Justiça italiana.
A declaração de Sóstenes Cavalcante expõe a tensão crescente entre oposição e Supremo. A bancada do PL já vinha criticando decisões recentes de Moraes, especialmente no caso de Zambelli e na prisão de figuras ligadas ao bolsonarismo.
A tendência, segundo parlamentares, é que o tema domine os debates nas próximas sessões, com intensas disputas narrativas sobre autonomia institucional e cumprimento de decisões judiciais.