Em um cenário de tensões crescentes no Oriente Médio, Israel anunciou o início de “operações terrestres limitadas” no sul do Líbano, mirando o grupo Hezbollah. A ação, que na prática configura uma invasão territorial, acontece em meio à retomada dos conflitos entre as partes, que se intensificaram após um embate mais amplo envolvendo Estados Unidos e Irã, nações que apoiam lados opostos nessa intrincada teia de alianças e rivalidades.
A fragilidade da paz na fronteira entre Israel e Líbano foi novamente posta à prova com o anúncio, nesta segunda-feira, por parte do Exército israelense, do início de “operações terrestres limitadas” no sul do território libanês. A investida militar tem como alvo o Hezbollah, um grupo rebelde que mantém laços e recebe financiamento direto do regime iraniano. O que Israel denomina como “operações limitadas” na prática representa uma invasão territorial, marcando uma escalada perigosa na já volátil região.
Em um comunicado oficial, as Forças de Defesa de Israel (IDF) detalharam que o objetivo dessas ações é “estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada”, buscando desmantelar a infraestrutura do Hezbollah e eliminar os combatentes que operam na área. A justificativa é criar uma camada adicional de segurança para os moradores do norte de Israel, constantemente ameaçados. Um vídeo divulgado pelas IDF mostra a movimentação de tropas e tanques sob a cobertura da noite, utilizando tecnologia de visão noturna, confirmando a dimensão da operação.
A terminologia “operação limitada” não é novidade. Em outubro de 2024, quando Israel invadiu o Líbano pela última vez, o mesmo termo foi empregado. Na ocasião, o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, explicou que se trata de incursões pontuais, sem o objetivo de uma ocupação total do território invadido. Contudo, essa distinção não minimiza a gravidade da entrada de tropas em solo alheio.
A decisão por essa incursão surge dias depois de o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ter feito duras ameaças, afirmando que “tomaria territórios” no Líbano caso os ataques do Hezbollah não cessassem. Na semana passada, Katz já havia ordenado ao Exército que se preparasse para “expandir” as operações no país vizinho, e o acúmulo de tropas e tanques israelenses ao longo da fronteira nas últimas semanas já sinalizava essa iminente escalada. Relatos de ataques terrestres em cidades libanesas no extremo sul apenas corroboram a intensidade crescente do conflito.
A retomada dos embates entre Israel e Hezbollah, que mantinham um cessar-fogo desde novembro de 2024, foi deflagrada por um contexto maior de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, reacendidas no final de fevereiro. Desde então, além das incursões terrestres, Israel tem realizado bombardeios diários contra o Líbano, inclusive na capital Beirute, alegando ter atingido mais de mil alvos do Hezbollah. Em contrapartida, o grupo rebelde tem executado bombardeios coordenados com o Irã contra o território israelense.
A humanidade é a principal vítima dessa escalada. A guerra entre Israel e Hezbollah já ceifou a vida de quase 800 pessoas no Líbano e forçou o deslocamento de mais de 800 mil indivíduos, que tiveram que abandonar suas casas em busca de segurança. O anúncio oficial de Israel nesta segunda-feira, embora tardio, confirma uma realidade que já era sentida nas cidades do extremo sul libanês, onde relatos de combates terrestres entre as forças israelenses e o Hezbollah já se multiplicavam, revelando a dura face de um conflito que parece não ter fim.