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11/01/2025
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Em um momento de forte instabilidade interna, o Irã elevou o tom contra os Estados Unidos e Israel, prometendo retaliar bases militares e territórios caso o país sofra um ataque. A declaração veio do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, neste domingo (11), em meio às crescentes tensões regionais. Ele afirmou que as bases americanas e “territórios ocupados”, referindo-se a Israel, seriam “alvos legítimos” em caso de ofensiva militar contra o regime.
Essas ameaças acompanham uma onda de protestos que cresce em intensidade no Irã. Até agora, os confrontos já deixaram 192 mortos, segundo a organização de direitos humanos “Iran Human Rights”. Os números evidenciam uma repressão cada vez mais violenta, com o próprio chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitindo a escalada de enfrentamentos contra os manifestantes. Os protestos, que começaram no fim de 2025, têm se expandido rapidamente, ganhando força e violência enquanto o regime enfrenta uma crise de legitimidade.
O presidente norte-americano Donald Trump declarou apoio aos manifestantes, afirmando que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”. Alguns dias antes, ele discutiu com líderes de seu governo as opções de ataque ao Irã, enquanto seu secretário de Estado, Marco Rubio, conversou diretamente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre possibilidades de intervenção. Essas declarações inflamaram ainda mais a retórica iraniana, com o presidente do país, Masoud Pezeshkian, acusando os EUA e Israel de “semear caos” e incentivar os protestos nas ruas.
Apesar disso, Pezeshkian tentou adotar uma postura conciliatória ao afirmar que o governo está disposto a ouvir a população e trabalhar em soluções para os problemas econômicos, que também contribuem para a insatisfação generalizada. No entanto, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, minimizou os protestos, chamando os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, em discurso transmitido pela TV estatal.
A repressão do governo iraniano, considerada uma das mais severas desde os protestos de 2022 pela morte de Mahsa Amini, foi acompanhada por acusações do regime de que os Estados Unidos estão por trás da crise. Autoridades americanas rejeitaram a acusação, definindo-a como uma distração dos problemas internos enfrentados pela liderança iraniana.
O contexto também é agravado por confrontos geopolíticos mais amplos. A tensão entre o Irã, Estados Unidos e Israel aumentou após eventos recentes, como o ataque de 2025 à base Al Udeid, no Catar, que havia sido retaliado por bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas. O movimento atual é percebido como um dos maiores desafios ao regime do aiatolá Ali Khamenei em anos, enquanto manifesta um descontentamento que parece cada vez mais difícil de conter, tanto para o Irã quanto para as potências globais observando a crise se desdobrar.