CentroesteNews
28/01/2026
O Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) será reforçado com 760 profissionais em formação na Especialização em Enfermagem Obstétrica, por meio da Rede Alyne. O curso teve início em novembro de 2025 e é voltado a profissionais que já possuem ao menos um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS.
A iniciativa conta com investimento de R$ 17 milhões e tem como objetivo ampliar a formação de especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal na rede pública de saúde, diante da carência desses profissionais no país.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil possui atualmente cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Desse total, apenas 46% (6.247 profissionais) mantêm vínculo com estabelecimentos de saúde cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que evidencia a insuficiência de especialistas para atender à demanda nacional.
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Em comparação internacional, a diferença é ainda mais significativa. Em países que adotam modelos de atenção baseados na enfermagem obstétrica, a densidade varia entre 25 e 68 profissionais por mil nascidos vivos, enquanto no Brasil esse índice é de apenas cinco por mil, segundo dados da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).
Formação coordenada pela UFMG
A especialização é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com 38 instituições de ensino e com apoio da Abenfo. A proposta é ampliar a presença de enfermeiros obstétricos no SUS, qualificando o cuidado prestado às gestantes, parturientes e recém-nascidos.
O enfermeiro obstétrico é o profissional especializado no acompanhamento da mulher durante a gestação, o parto e o pós-parto, especialmente em partos naturais ou vaginais. Entre suas atribuições estão a realização de exames, a assistência ao parto, o cuidado com o recém-nascido e a atuação integrada com médicos, promovendo um atendimento mais humanizado e seguro.
Para o conselheiro do Cofen Renné Costa, a ampliação da formação desses profissionais representa um avanço importante para o sistema público de saúde.
“Falta enfermeiro obstétrico no Brasil, principalmente quando a gente compara os números do país com o resto do mundo”, avaliou.
Segundo ele, enquanto no Brasil a proporção é de aproximadamente um enfermeiro obstétrico para quatro médicos, em outros países o cenário é inverso, com quatro enfermeiros obstétricos para cada médico, o que contribui para melhores indicadores de saúde materna e neonatal.
Renné Costa destacou ainda que a enfermagem obstétrica prioriza o respeito à fisiologia do parto, reduzindo intervenções desnecessárias e riscos à saúde da mulher e do bebê.
Ganhos para o SUS
Na avaliação do conselheiro, o SUS tende a obter ganhos expressivos com o fortalecimento dessa área. Ele próprio é egresso de uma especialização em enfermagem obstétrica realizada em 2014, ainda no âmbito da Rede Cegonha, que antecedeu a Rede Alyne.
“Essa especialização mudou minha vida profissional e também a realidade de um município do interior de Alagoas onde eu atuava. Passei a ter capacitação para oferecer uma assistência mais qualificada às mulheres”, relatou.




