O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgou nesta quarta-feira (4) o planejamento das ações de enfrentamento aos incêndios florestais para 2026. A estratégia inclui a publicação da declaração de emergência ambiental por região, a mobilização de 4.660 brigadistas e o reforço da infraestrutura operacional em todo o país.
A ministra Marina Silva destacou que o planejamento é resultado de um esforço iniciado em 2023, em meio a uma das maiores crises de incêndios dos últimos anos. Segundo ela, os resultados já começaram a aparecer em 2025, com redução de 39% nos focos de calor no país, incluindo quedas expressivas na Amazônia (75%) e no Pantanal (mais de 90%).
“É preciso planejar, prevenir e combater. Sobretudo, que isso não seja uma política que só aparece quando a crise já está instalada”, afirmou a ministra.
Emergência ambiental e critérios científicos
O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, explicou que a portaria de emergência publicada no Diário Oficial da União é essencial para viabilizar a contratação de brigadistas temporários e funciona também como instrumento de alerta.
Segundo ele, a definição das áreas prioritárias segue critérios científicos, como déficit de chuvas, histórico de temperaturas elevadas, previsões climáticas e características específicas das mesorregiões brasileiras.
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Mesmo com um ano considerado mais chuvoso em parte do país, Agostinho alertou para a mudança no cenário climatológico e reforçou que este é um período de atenção redobrada.
Estrutura ampliada e monitoramento em tempo real
O trabalho será coordenado de forma integrada pelo Ibama, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outros órgãos ambientais, articulados por meio da Sala de Situação Permanente criada em 2024.
Além disso, o plano prevê:
Três bases logísticas estratégicas;
Duas vilas operacionais de combate ampliadas;
Sistema de monitoramento por satélite em tempo real.
Ao todo, serão 246 servidores das brigadas permanentes (131 do Ibama e 115 do ICMBio) e 4.660 brigadistas, incluindo temporários, distribuídos nas regiões de maior risco.
Participação de povos tradicionais
Um dos pontos destacados pelo governo é a composição das brigadas: cerca de 50% dos integrantes são indígenas e aproximadamente 10% quilombolas. A presença dessas comunidades é considerada estratégica, já que possuem conhecimento profundo dos territórios e experiência no manejo tradicional do fogo.
O planejamento para 2026 reforça a estratégia de antecipação e prevenção, buscando reduzir impactos ambientais, sociais e econômicos provocados pelos incêndios florestais.




