CentroesteNews
08/07/2025
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), comentou nesta segunda-feira (7) a situação da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá e descartou a terceirização como única alternativa para evitar o fechamento da unidade.
Segundo Mendes, todas as medidas necessárias para a continuidade dos serviços já estão em andamento, e a transferência dos atendimentos para outras unidades de saúde está garantida. Ele ressaltou que o prédio ocupado pela Santa Casa não pertence ao governo estadual, mas ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
“Senhores, eu já falei 10 vezes, 20 vezes sobre esse negócio. Nós alugamos um prédio, construímos uma casa nova, 10, 100 vezes melhor do que a casa antiga e vamos mudar todo o serviço para lá. O prédio não é nosso, o prédio é do TRT, entendeu?”, afirmou o governador.
Mendes também garantiu que os atendimentos prestados pela Santa Casa não serão interrompidos, apenas transferidos para estruturas consideradas mais modernas e adequadas, como o Hospital Central ou outras unidades de saúde.
O TRT-MT divulgou que o imóvel da Santa Casa passou por reavaliação no processo piloto em tramitação na Coordenadoria de Apoio à Efetividade da Execução (CAEX). O prédio está apto para venda, com valor estimado em cerca de R$ 78 milhões, e os recursos serão usados para pagar dívidas trabalhistas da instituição, que envolvem 860 processos e uma dívida inicial superior a R$ 50 milhões.
Até o momento, 384 processos foram quitados com cerca de R$ 7,3 milhões, enquanto 476 ainda aguardam pagamento, somando aproximadamente R$ 43,7 milhões. A CAEX informou que os credores poderão ser intimados para adquirir o imóvel por adjudicação ou indicar interessados para a futura venda judicial.
Por se tratar de um prédio com fachada tombada, a legislação estabelece preferência para aquisição pela União, Estado e Município, que também serão notificados.
Desde maio de 2019, quando o governo estadual assumiu a estrutura da Santa Casa por meio de requisição administrativa, o local funciona como unidade estadual de saúde. Até o momento, foram repassados cerca de R$ 26 milhões para pagamento de salários atrasados e outras verbas devidas a ex-empregados. Atualmente, o Estado paga aluguel mensal de pouco mais de R$ 461 mil pelo uso do prédio em 2024, valor ainda em definição para 2025.
A Santa Casa fechou as portas em março de 2019, após enfrentar grave crise financeira e atrasos salariais por cerca de sete meses. Com a venda do imóvel, a Justiça do Trabalho busca viabilizar o pagamento das dívidas remanescentes.