O IBGE enfrenta mudanças estratégicas que têm gerado apreensões sobre o impacto nos dados oficiais do país. A recente exoneração de Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais, a pouco mais de um mês da divulgação do PIB de 2025, acendeu o alerta entre os servidores e o sindicato que os representa, o Assibge. A saída aconteceu em um momento sensível, especialmente porque o setor é responsável pela incorporação de novas bases de dados e revisões metodológicas essenciais à atualização do Sistema de Contas Nacionais.
Mais Lidas
-
Lula anuncia novo programa para reduzir filas do SUS e ampliar atendimento médico especializado no Brasil
-
Polícia Federal realiza operação contra aliados de Cláudio Castro e investigação aumenta pressão política no Rio de Janeiro
-
STF autoriza novas investigações sobre suposto uso irregular de emendas parlamentares e caso amplia tensão política em Brasília
Rebeca foi substituída por Ricardo Montes de Moraes, servidor que está no IBGE desde 2005. Em nota, o órgão garantiu que o cronograma será cumprido e que a transição está sendo feita de forma dialogada. No entanto, o Assibge defende que mudanças desse porte deveriam ter sido conduzidas com mais cuidado, priorizando a continuidade dos trabalhos do instituto e protegendo sua credibilidade.
Além disso, a saída de outros servidores estratégicos também gerou preocupações. A Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais e a Diretoria de Geociências sofreram alterações de chefia recentemente, enquanto o Ministério do Planejamento decidiu suspender temporariamente o IBGE+, uma nova iniciativa da fundação que, segundo o sindicato, foi implementada sem o devido debate, gerando instabilidade institucional.
As mudanças ocorrem enquanto o instituto se prepara para implementar o novo Ano Base das Contas Nacionais, processo que segue recomendações da ONU, OCDE, Banco Mundial, FMI e Eurostat. Essas revisões, realizadas a cada 10 anos, adaptam os dados às transformações econômicas, garantindo que indicadores como o PIB incorporem fatores como meio ambiente, economia digital e desigualdade.
Durante reunião com a Secretaria-Geral da Presidência da República, o Assibge alertou sobre os riscos de narrativas que coloquem em dúvida a credibilidade do IBGE, especialmente diante da repercussão na mídia sobre essas mudanças. Ao mesmo tempo, a entidade pede mais cuidado e diálogo na condução de um órgão cuja função é vital para o planejamento e o acompanhamento da economia brasileira. O caso segue sendo monitorado enquanto o instituto trabalha para atender aos seus cronogramas essenciais.