A Justiça da Coreia do Sul condenou nesta quarta-feira (19) o ex-presidente Yoon Suk-yeol à prisão perpétua, após considerá-lo culpado por liderar uma insurreição e impor ilegalmente a lei marcial em dezembro de 2024.
A sentença foi proferida pelo juiz Ji Gwi-yeon, do Tribunal Distrital Central de Seul, que concluiu que o ex-mandatário mobilizou forças militares e policiais com o objetivo de ocupar o Parlamento, deter opositores e concentrar poderes de forma irregular.
“Condenamos Yoon à prisão perpétua por liderar uma insurreição”, afirmou o magistrado durante a leitura da decisão.
Tentativa de intervenção no Parlamento
Segundo a acusação, Yoon determinou o envio de tropas ao Legislativo após anunciar lei marcial em cadeia nacional de televisão, alegando que o Parlamento (controlado pela oposição) estaria inviabilizando o orçamento do Estado.
Deputados conseguiram acessar o prédio e aprovaram a suspensão do decreto poucas horas depois, revertendo a medida. O episódio foi classificado por autoridades judiciais como uma tentativa grave de ruptura institucional.
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O tribunal também apontou que o ex-presidente teria excluído ministros de reuniões preparatórias, além de dificultar investigações e resistir à prisão.
Detenção inédita
Yoon foi detido em janeiro de 2025 após semanas entrincheirado na residência oficial em Seul, sob proteção de seguranças. Ele se tornou o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser preso no país.
Antes da sentença desta quarta-feira, já havia sido condenado a cinco anos de prisão por decisões relacionadas à imposição da lei marcial. Ele ainda responde a outros processos criminais, incluindo acusações de obstrução de justiça e falsificação de documentos.
A promotoria havia solicitado pena de morte, argumentando que as ações do ex-presidente representaram ameaça direta à democracia sul-coreana. A Justiça, no entanto, optou pela prisão perpétua.
Impacto político
A destituição de Yoon pelo Tribunal Constitucional, em abril, levou à convocação de novas eleições presidenciais. O pleito resultou na vitória de Lee Jae-myung, candidato da oposição.
Analistas locais avaliam que Yoon deve recorrer da decisão, o que pode prolongar o desfecho judicial do caso.
A condenação reforça a rigidez das instituições sul-coreanas diante de crises políticas e marca um dos episódios mais graves desde o período das ditaduras militares dos anos 1980.




