CentroesteNews
27/05/2025
Anna Vitória Bispo
Especialistas e comunidades tradicionais denunciam os impactos da expansão da exploração de petróleo no Brasil. Além dos danos ambientais, como vazamentos e degradação da biodiversidade, há prejuízos sociais e econômicos para populações costeiras que vivem da pesca artesanal.
Moradores de São Sebastião e Caraguatatuba, no litoral paulista, relatam que a atividade pesqueira foi gravemente afetada com a chegada da indústria petrolífera, incluindo acidentes e vazamentos que destruíram áreas ricas em pescado e marisco. Em 2024, o Brasil registrou 731 acidentes marítimos relacionados ao setor – o maior número desde 2012.
No dia 17 de junho, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizará o 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com leilão de 172 blocos, incluindo áreas sensíveis na bacia da Foz do Amazonas, considerada o “novo pré-sal”. Apesar disso, especialistas como Juliano Bueno de Araújo, do Instituto Arayara, criticam a pressa na abertura dessas áreas diante de um cenário global de transição energética e queda na demanda por petróleo.
Relatórios internacionais e estudos como os da InfoAmazonia mostram que o Brasil possui reservas suficientes para abastecer o mercado interno até pelo menos 2040, mesmo sem explorar novas áreas. Para analistas ambientais, continuar investindo em petróleo pode comprometer o protagonismo do país na agenda climática e gerar pouca inclusão social.
“O petróleo não tem promovido desenvolvimento sustentável para as comunidades”, afirma Carolina Marçal, do ClimaInfo. Já a Petrobras argumenta que novas explorações são necessárias para evitar a futura dependência de importações.