A família real da Noruega enfrenta uma das semanas mais turbulentas dos últimos anos, com controvérsias que envolvem tanto o filho da princesa herdeira quanto a própria futura rainha do país. Os episódios reacenderam debates sobre confiança pública e o futuro da monarquia norueguesa.
Filho da princesa herdeira nega acusações
A primeira controvérsia envolve Marius Borg Høiby, de 29 anos, filho da princesa herdeira Mette-Marit. Ele compareceu a um tribunal em Oslo no início da semana, onde negou quatro acusações de estupro. Durante o primeiro dia de depoimento, Høiby chorou ao se manifestar perante o tribunal.
Høiby não integra a linha de sucessão ao trono, pois nasceu antes do casamento de sua mãe com o príncipe herdeiro Haakon, em 2001. Em uma rara declaração pública, Haakon reforçou que o enteado “não é membro da Casa Real da Noruega e, portanto, é autônomo”, tentando separar o caso judicial da instituição monárquica.
Correspondência com Jeffrey Epstein amplia crise
Enquanto o julgamento avançava, uma segunda polêmica veio à tona. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram correspondências entre Mette-Marit e o financista Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 enquanto respondia a acusações de crimes sexuais.
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As mensagens teriam ocorrido anos após Epstein já ter se declarado culpado por solicitar sexo de uma menor de idade. Em comunicado oficial, a princesa afirmou que lamenta profundamente o contato e declarou que “repudia fortemente os abusos e atos criminosos de Epstein”.
“Parte do conteúdo das mensagens entre Epstein e eu não representa a pessoa que quero ser. Também peço desculpas pela situação em que coloquei a Família Real”, afirmou.
Confiança abalada e debate sobre o futuro
Especialistas em realeza apontam que os episódios desencadearam um debate público aberto sobre a adequação de Mette-Marit ao papel de futura rainha.
Segundo analistas ouvidos pela imprensa norueguesa, a confiança na princesa herdeira sofreu queda significativa, ainda que o apoio à monarquia como instituição permaneça majoritário. O momento é particularmente sensível devido à idade avançada do rei Harald V, de 88 anos, o monarca mais velho da Europa, que já precisou ser substituído temporariamente pelo príncipe Haakon em ocasiões recentes por motivos de saúde.
Mette-Marit foi diagnosticada com fibrose pulmonar em 2018, doença crônica e progressiva, o que já vinha limitando sua agenda oficial. Alguns comentaristas sugerem que, caso a pressão aumente, ela poderia reduzir ou até se afastar de funções públicas no futuro.
Monarquia sob observação
Analistas políticos avaliam que o impacto real dos escândalos ainda depende do desenrolar do processo judicial contra Høiby e da reação da opinião pública nas próximas semanas. A monarquia norueguesa, tradicionalmente vista como estável e discreta, agora enfrenta questionamentos mais intensos sobre transparência e julgamento pessoal de seus integrantes.
A expectativa é que o palácio mantenha postura cautelosa enquanto aguarda o avanço dos processos e a diminuição da repercussão midiática.




