As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) tiveram suas fotos exibidas de maneira indevida em um álbum de reconhecimento de suspeitos em uma delegacia de polícia do Recife, durante a oitiva de uma vítima de roubo de celular. A situação gerou forte reação pública e levou a Polícia Civil de Pernambuco a abrir investigação para apurar como as imagens das parlamentares foram parar no procedimento policial.
A prática, segundo especialistas, é gravíssima: exibir fotos de pessoas sem qualquer relação com o delito investigado viola protocolos básicos de reconhecimento e pode configurar discriminação institucional.
Defensoria alerta para possível discriminação
A irregularidade foi identificada pela Defensoria Pública de Pernambuco, que notificou as parlamentares após constatar que suas imagens (de domínio público e sem qualquer conexão com o caso) estavam entre as opções apresentadas à vítima.
Para a Defensoria, a inclusão das fotos não respeitou critérios técnicos, já que não havia semelhança entre a descrição do suspeito e as deputadas, ambas mulheres negras e trans. O episódio, segundo o órgão, pode indicar viés discriminatório na seleção das imagens.
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Reação das deputadas
Erika Hilton e Duda Salabert repudiaram o episódio nas redes sociais. Ambas classificaram o caso como um exemplo de violência institucional e de tentativa de criminalização simbólica de suas identidades.
Parlamentares e organizações de direitos humanos manifestaram solidariedade e exigiram responsabilização.
Polícia Civil investiga o procedimento
A Polícia Civil de Pernambuco informou que instaurou processo interno para verificar:
- quem incluiu as fotos no álbum;
- se houve descumprimento de protocolos;
- e se o ato foi motivado por discriminação ou falha administrativa.
O caso reacende o debate sobre a necessidade de padronização e controle rigoroso dos procedimentos de reconhecimento para evitar constrangimentos e acusações indevidas.