Centroeste News
14/07/2025
Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), estão conduzindo um estudo inédito para rastrear casos de Paracoccidioidomicose (PCM) — uma doença fúngica rara, porém grave, que afeta principalmente trabalhadores rurais. Popularmente conhecida como “paracoco”, a doença é causada por um fungo presente no solo e representa risco direto à saúde de agricultores que lidam diariamente com a terra.
A pesquisa abrange 500 agricultores familiares de nove municípios da Baixada Cuiabana, entre eles Cuiabá, Várzea Grande e Poconé. Os trabalhadores estão sendo submetidos a exames de sangue para a detecção precoce da infecção. A contaminação ocorre pela inalação dos esporos do fungo, e a doença pode afetar diversos órgãos, incluindo pulmões, pele e ossos.
Mato Grosso é referência mundial nos estudos da doença
O projeto é coordenado pela Dra. Rosane Hahn, referência internacional no estudo da PCM. A pesquisadora foi responsável pela descoberta da variante Paracoccidioides lutzii, a partir de estudos conduzidos em Mato Grosso. Essa descoberta científica deu visibilidade internacional à pesquisa brasileira e destacou o estado como um dos centros mais importantes no mapeamento da doença.
O financiamento da pesquisa é da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), com apoio técnico e logístico da Seaf, que tem facilitado o contato com as comunidades rurais participantes do estudo.
Saúde no campo
A secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, reforçou a importância da iniciativa. “A união entre saúde pública e fortalecimento da agricultura familiar é fundamental para garantir qualidade de vida no campo. Essa pesquisa representa um marco nesse sentido”, afirmou.
Até o momento, 270 dos 500 exames previstos já foram realizados. Os casos confirmados serão encaminhados para tratamento especializado no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá. A previsão é que a coleta de dados seja concluída até setembro, com os resultados sendo publicados posteriormente em uma revista científica internacional.