CentroesteNews
23/01/2026
O Banco Master contou com apoio institucional adicional para viabilizar a venda de carteiras de crédito consignado posteriormente identificadas como fraudadas ao Banco de Brasília (BRB). As operações, que integram o conjunto de fatos que levaram à prisão do empresário Daniel Vorcaro e de outros seis executivos, teriam sido impulsionadas por intervenções do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.
Segundo fontes e documentos obtidos pela equipe da coluna, Aquino manteve contato direto com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, solicitando que o banco estatal adquirisse as carteiras de crédito. A justificativa apresentada teria sido a necessidade de auxiliar o Banco Master a enfrentar graves problemas de liquidez naquele momento.
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As mensagens indicam que a negociação não se limitou a tratativas técnicas entre instituições financeiras, mas envolveu articulação direta de um alto dirigente do Banco Central, órgão responsável pela supervisão e fiscalização do sistema financeiro nacional. O episódio levanta questionamentos sobre a condução dos processos regulatórios e sobre possíveis conflitos entre o papel fiscalizador da autoridade monetária e sua atuação nos bastidores do mercado.
A venda das carteiras ao BRB acabou se tornando um dos pontos centrais das investigações que apuram irregularidades em operações de crédito consignado, especialmente aquelas vinculadas a aposentados e pensionistas. Com o avanço das apurações, os investigadores passaram a analisar não apenas a atuação dos executivos do Banco Master, mas também a participação de agentes públicos que, direta ou indiretamente, possam ter contribuído para a continuidade das operações.
O caso amplia a dimensão do escândalo financeiro, ao inserir a atuação de um diretor do Banco Central no contexto das negociações que antecederam o colapso do Banco Master, reforçando o debate sobre governança, fiscalização e responsabilidades institucionais no sistema bancário brasileiro.