Os alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado apresentaram queda em abril, segundo dados divulgados pelo sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Na Amazônia, a área sob alerta de desmatamento foi de 228 km², representando redução de 15% em comparação ao mesmo mês de 2025. Já no Cerrado, a queda foi ainda mais significativa: os alertas passaram de 691 km² para 418 km², uma redução de 40%.
Os números reforçam a tendência de desaceleração observada nos primeiros meses do ano, período marcado pela estação chuvosa nas principais áreas florestais do país.
Estação chuvosa influencia resultados
Especialistas explicam que o primeiro semestre tradicionalmente registra menores índices de desmatamento devido às chuvas intensas, que dificultam:
- Entrada de máquinas em áreas florestais;
- Acesso de grupos responsáveis por derrubadas;
- Transporte de madeira;
- Abertura de novas áreas ilegais.
Além disso, a maior cobertura de nuvens pode reduzir parcialmente a precisão das imagens de satélite utilizadas no monitoramento ambiental.
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Mesmo com essa limitação, os dados do DETER são considerados fundamentais para orientar ações rápidas de fiscalização ambiental em tempo real.
Amazônia registra um dos menores índices da série histórica
No acumulado entre janeiro e abril de 2026, a Amazônia registrou queda de 6% nos alertas de desmatamento em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o INPE, este é o segundo menor índice da série histórica iniciada em 2016.
Já o Cerrado acumulou 1.884 km² sob alerta de desmatamento no mesmo período, uma redução de 4% em comparação a 2025. O resultado representa o quarto menor valor desde o início da série histórica do bioma, iniciada em 2019.
Cerrado segue no centro das preocupações ambientais
Apesar da redução registrada em abril, especialistas alertam que o Cerrado continua sendo um dos biomas mais pressionados pelo avanço da agropecuária, queimadas e expansão territorial.
O bioma é considerado estratégico para:
- Produção de água;
- Biodiversidade;
- Regulação climática;
- Agricultura nacional.
Estados como Mato Grosso, Goiás, Bahia e Maranhão concentram parte importante das áreas monitoradas.
Fiscalização e pressão internacional
A redução nos índices ocorre em meio à ampliação das ações de fiscalização ambiental e à crescente pressão internacional sobre o Brasil em relação à preservação florestal.
O monitoramento do desmatamento é acompanhado de perto por mercados internacionais, especialmente após o aumento das exigências ambientais ligadas ao comércio agrícola e às exportações brasileiras.
Analistas avaliam que a continuidade da queda dependerá da manutenção das ações de fiscalização, do combate ao desmatamento ilegal e das condições climáticas nos próximos meses.