CentroesteNews
18/01/2026
Delegados da Polícia Federal manifestaram preocupação institucional com o andamento do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, apontando um cenário classificado como “manifestamente atípico” e potencialmente prejudicial à condução técnica das investigações. A reação foi formalizada em nota divulgada neste sábado (17) pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).
Segundo a entidade, há indícios de que prerrogativas legais da classe vêm sendo “indevidamente mitigadas” no curso da apuração, que tramita sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora o magistrado não seja citado nominalmente, a manifestação faz referência direta a decisões judiciais que, na avaliação dos delegados, extrapolam o padrão institucional esperado.
A ADPF afirma que o contexto gera “legítima perplexidade institucional” e alerta para riscos à harmonia entre as instituições. No entendimento da associação, cabe ao STF o exercício da jurisdição constitucional, enquanto aos delegados da PF compete a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação criminal, conforme previsto em lei.
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Entre os pontos destacados na nota estão a determinação de acareações, a fixação de prazos considerados exíguos para buscas, apreensões e inquirições, além de medidas adotadas “à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial”. Para os delegados, tais intervenções comprometem a lógica operacional da investigação.
O documento também menciona decisões relacionadas ao destino de materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, os objetos deveriam ser encaminhados ao STF; posteriormente, houve a determinação de envio à Procuradoria-Geral da República (PGR); e, por fim, a escolha nominal de peritos responsáveis pela análise do material. Segundo a ADPF, nem mesmo internamente, na Polícia Federal, a designação de peritos ocorre por escolha pessoal, mas por critérios técnicos e administrativos previamente definidos.
Outro ponto de tensão citado é a acareação marcada em dezembro entre representantes do Banco Central, o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O procedimento acabou sendo esvaziado após a dispensa do representante do BC. Na ocasião, o ministro relator também externou insatisfação com a Polícia Federal, atribuindo à corporação suposta “inércia” na abertura de nova etapa da investigação.
Para os delegados, o conjunto dessas decisões representa uma “afronta às prerrogativas legalmente conferidas” à Polícia Federal e pode comprometer a “adequada e completa elucidação dos fatos”. A associação ressalta ainda que investigações anteriores conduzidas em cooperação entre PF e STF demonstraram que o respeito às competências institucionais é fundamental para a credibilidade e eficácia do sistema de Justiça.
Ao final, a ADPF afirma esperar que Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal consigam restabelecer uma atuação “harmônica, cooperativa e estritamente balizada pelo ordenamento jurídico”, de modo a preservar tanto a independência da investigação criminal quanto a segurança jurídica do processo.




