CentroesteNews
13/01/2026
A crise profunda que hoje marca a Venezuela não surgiu de forma repentina nem pode ser atribuída apenas aos anos mais recentes do governo de Nicolás Maduro. Suas raízes remontam à era de Hugo Chávez, que governou o país entre 1999 e 2013 e promoveu uma transformação estrutural do Estado venezuelano, com impactos duradouros sobre a economia, a política e a sociedade.
Chávez assumiu o poder em meio a forte insatisfação popular, prometendo justiça social, soberania nacional e redistribuição da riqueza gerada pelo petróleo. Durante os primeiros anos, impulsionado pelos altos preços do barril, o governo ampliou programas sociais e aumentou o protagonismo do Estado na economia. No entanto, esse modelo foi acompanhado por centralização de poder, enfraquecimento das instituições democráticas e crescente dependência das receitas petrolíferas.
Ao invés de diversificar a economia, o chavismo aprofundou a lógica de um país sustentado quase exclusivamente pelo petróleo. Setores como agricultura e indústria perderam espaço, enquanto a estatal PDVSA passou a ser usada como instrumento político, sofrendo com aparelhamento, perda de quadros técnicos e queda gradual de eficiência. Paralelamente, controles rígidos de preços e câmbio distorceram o mercado, incentivaram o desabastecimento e abriram espaço para esquemas de corrupção em larga escala.
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Com a morte de Chávez e a ascensão de Nicolás Maduro, o país já apresentava sinais claros de fragilidade estrutural. A queda dos preços internacionais do petróleo expôs de forma brutal um modelo econômico incapaz de se sustentar sem receitas extraordinárias. A resposta do governo foi ampliar ainda mais o controle político, restringir liberdades civis e reprimir a oposição, aprofundando o isolamento internacional.
Venezuelanos que conseguiram deixar o país relatam como a combinação de autoritarismo, colapso econômico e perseguição política transformou uma nação com algumas das maiores reservas de petróleo do mundo em um território marcado por hiperinflação, escassez de alimentos e medicamentos e migração em massa. Para muitos, a bancarrota não foi apenas financeira, mas também institucional e moral.
Hoje, a crise venezuelana é resultado direto de escolhas feitas ao longo de mais de duas décadas, nas quais o poder foi concentrado, a economia foi desmontada e o petróleo, longe de ser uma bênção, tornou-se o alicerce frágil de um projeto político que entrou em colapso.